A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã pode gerar efeitos além da economia e atingir diretamente a diplomacia brasileira. A avaliação é da analista de Internacional Fernanda Magnotta, feita durante o programa CNN 360°.
Segundo a especialista, a medida se enquadra no que é conhecido como “tarifas secundárias”, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para punir nações que negociam com países sob sanções americanas. No caso do Brasil, apesar de existir comércio com o Irã, o impacto econômico tende a ser restrito, enquanto as consequências políticas e diplomáticas podem ser mais sensíveis.
Do ponto de vista comercial, o Brasil exporta ao Irã produtos como milho, soja, açúcar e farelo, além de importar itens como ureia. Ainda assim, Magnotta ressalta que a relação comercial brasileira com os Estados Unidos é cerca de 13 vezes maior do que com o Irã, o que coloca o país em uma posição delicada diante da necessidade de escolhas estratégicas.
“Na hora de comprar essa briga, o Brasil pode ter que optar por prejudicar setores específicos para evitar expor novamente a economia brasileira aos efeitos das tarifas, que já conhecemos bem”, explicou a analista.
O principal desafio, no entanto, está no campo diplomático. O Brasil busca manter boas relações com os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial, ao mesmo tempo em que o Irã integra o Brics Plus, grupo geopolítico do qual o país também faz parte.
Para Magnotta, essa dualidade obriga o Brasil a adotar uma postura de equilíbrio.
“O país acaba atuando como um equilibrista. Precisa condenar excessos do regime iraniano, alinhando-se ao discurso ocidental, mas sem romper com parceiros estratégicos que fazem parte do mesmo bloco”, afirmou.
A nota divulgada pelo governo brasileiro na terça-feira (13) reflete essa cautela. Conforme a analista, o posicionamento foi tardio e buscou condenar a violência contra manifestantes no Irã sem atacar diretamente o regime, além de defender o princípio da não-interferência externa, em um recado indireto aos Estados Unidos.
Para Fernanda Magnotta, os efeitos mais relevantes da decisão americana devem surgir no médio e longo prazo.
“O maior desafio não está nas perdas comerciais imediatas, mas em como o Brasil será interpretado por ambos os lados quando a tensão exigir um posicionamento mais claro”, concluiu.





