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Rússia afirma que pode retomar testes nucleares se os EUA fizerem o mesmo

Declaração do Kremlin ocorre após o presidente Donald Trump autorizar a retomada dos testes nos Estados Unidos, encerrando um hiato de mais de 30 anos
Por: Redação
10 de novembro de 2025 - 12:16 PM

A Rússia afirmou neste domingo (9) que “será obrigada” a realizar testes nucleares caso os Estados Unidos retomem suas próprias atividades do tipo, como autorizado recentemente pelo presidente norte-americano Donald Trump.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou à emissora estatal Russia 1 que Moscou não pretende violar o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT), assinado em 1996, mas ressaltou que o país “terá de agir em reciprocidade” para manter a paridade estratégica com Washington.

“O presidente Vladimir Putin já declarou repetidamente que a Rússia continua comprometida com seus compromissos de proibição de testes nucleares. Mas, se outro país violar esses compromissos, teremos de responder na mesma medida”, afirmou Peskov.

A declaração ocorre após Trump anunciar, no fim de outubro, que os Estados Unidos retomariam os testes nucleares pela primeira vez em mais de três décadas. Segundo ele, a decisão seria uma resposta a supostos testes secretos realizados por Rússia e China, embora nenhuma prova tenha sido apresentada.

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A decisão norte-americana provocou reação imediata da comunidade internacional. A Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) e as Nações Unidas advertiram que a retomada das detonações poderia “desestabilizar a segurança global” e abrir um perigoso precedente para outras potências.

Os Estados Unidos e a Rússia são atualmente as maiores potências nucleares do planeta, com mais de 5 mil ogivas ativas cada, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI). A China, em crescimento acelerado no setor, dobrou seu arsenal nos últimos cinco anos, passando de 300 para 600 ogivas, conforme dados do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Peskov negou que os recentes testes russos com o míssil Burevestnik e o torpedo nuclear Poseidon tenham natureza nuclear. Segundo ele, tratam-se de ensaios convencionais de sistemas de propulsão e defesa.

A Rússia e a China não realizam testes nucleares desde 1990 e 1996, respectivamente. A Coreia do Norte é o único país que conduziu detonações atômicas neste século, totalizando seis explosões confirmadas pela CTBTO.

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Contexto global e reflexos regionais
O aumento das tensões entre Estados Unidos, Rússia e China reacende preocupações diplomáticas e humanitárias em todo o mundo, inclusive no Brasil. Instituições acadêmicas como a Esalq/USP e a Unimep, em Piracicaba, têm desenvolvido pesquisas sobre impactos ambientais e econômicos de conflitos geopolíticos, sobretudo na agricultura e na cadeia de exportação.

Especialistas alertam que uma escalada nuclear entre potências globais pode provocar instabilidade no mercado internacional, afetando insumos agrícolas, energia e fertilizantes setores com forte ligação com a economia piracicabana.

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