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Brasil adota prudência ao defender soberania sem citar Trump e Maduro

Governo Lula monitora crise e avalia cenário como “território desconhecido” após ação militar dos EUA na Venezuela
Por: Redação
5 de janeiro de 2026 - 10:50 AM

Dois dias após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, o governo brasileiro avalia o cenário como um “território desconhecido” e tem adotado uma postura de prudência diplomática diante do agravamento da crise internacional.

A orientação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é marcar posição de forma clara na defesa da soberania nacional, da não intervenção e do direito internacional, sem transformar o episódio em disputa política personalizada.

Nesse contexto, o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores optaram por não citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem o líder venezuelano Nicolás Maduro, capturado durante a operação realizada na madrugada de sábado (3), em Caracas.

Manifestação sem personalização

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Em publicação nas redes sociais no sábado, o presidente Lula afirmou que a ação dos Estados Unidos ultrapassa “uma linha inaceitável” e cria “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. Na manifestação, o chefe do Executivo brasileiro evitou mencionar diretamente os líderes envolvidos.

No domingo (4), um comunicado conjunto assinado por Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai também rechaçou a operação militar. O texto afirma que a ação contraria o direito internacional, ameaça a estabilidade regional e manifesta preocupação com “qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos” da Venezuela.

Relação com os Estados Unidos

Interlocutores do governo avaliam que a postura adotada pelo Brasil não deve comprometer a retomada da relação bilateral com os Estados Unidos, após episódios recentes de tensão, como o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e a aplicação, posteriormente revogada, da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci.

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Segundo integrantes do Planalto, o presidente Lula já deixou claro em conversas anteriores com Trump que há um limite considerado inegociável: a soberania nacional. A avaliação interna é de que essa posição é conhecida por Washington e que a manifestação sobre a Venezuela apenas reafirma um princípio histórico da política externa brasileira.

Estratégia diplomática

A diretriz do governo é evitar menções pessoais e manter o debate ancorado nos princípios constitucionais que regem a política externa do Brasil, como a autodeterminação dos povos, a integridade territorial e a solução pacífica de controvérsias.

A avaliação interna é de que citar diretamente os líderes poderia deslocar o foco do debate para uma disputa retórica, abrindo espaço para a politização do conflito. Por isso, a estratégia é blindar a posição brasileira e reduzir riscos diplomáticos em um cenário considerado instável.

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Segundo interlocutores do governo, a orientação é manter prudência nas manifestações públicas e concentrar esforços no trabalho diplomático cotidiano, com articulações bilaterais, monitoramento constante da situação e busca de mais informações diante das incertezas que cercam a crise.

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