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Quanto lixo Piracicaba produz por dia e para onde vão esses resíduos?

Cidade recolheu mais de 139 mil toneladas de resíduos domiciliares em um ano, média de 381 toneladas por dia; coleta seletiva representa menos de 3% desse volume
Por: Redação
22 de setembro de 2026 - 9:00 AM

Todos os dias, caminhões percorrem Piracicaba recolhendo centenas de toneladas de resíduos produzidos em casas e estabelecimentos comerciais. O volume é suficiente para mostrar o tamanho de um serviço que normalmente só chama atenção quando o caminhão deixa de passar: em 2024, foram coletadas 139.040,17 toneladas de resíduos sólidos domiciliares no município.

Isso representa uma média de aproximadamente 381 toneladas por dia, ou 11,6 mil toneladas por mês.

Considerando a população de 438.827 habitantes utilizada nos indicadores municipais daquele ano, cada morador respondeu, em média, pela geração de 0,86 quilo de resíduos domiciliares por dia, segundo cálculo da própria Prefeitura.

Em um ano, são aproximadamente 317 quilos por habitante.

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Os números ganham relevância durante a Semana Lixo Zero, realizada neste mês em Piracicaba, e levantam outra questão: quanto de tudo o que é descartado pela população poderia deixar de seguir o caminho do lixo comum?

Menos de 3% entra pela coleta seletiva
Os indicadores oficiais mostram uma diferença significativa entre a quantidade de material potencialmente reciclável presente no lixo e aquilo que efetivamente chega à coleta seletiva.

Em 2024, 3.862,21 toneladas de resíduos domiciliares foram recolhidas pelo sistema de coleta seletiva porta a porta.

O volume correspondeu a apenas 2,78% de todos os resíduos domiciliares coletados no município naquele ano.

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A cobertura territorial, porém, não explica sozinha esse resultado. A Prefeitura informa atualmente que a coleta seletiva atende 100% dos bairros urbanos de Piracicaba.

O desafio está também no que cada residência coloca para fora e na separação correta dos materiais.

Piracicaba poderia reciclar muito mais
Um estudo gravimétrico realizado em 2023 e utilizado pela Prefeitura nos indicadores de 2024 estimou que aproximadamente 27% dos resíduos domiciliares de Piracicaba têm potencial de reciclagem, considerando plástico, papel e papelão, metal e vidro.

Aplicado ao volume de lixo recolhido em 2024, esse percentual representa aproximadamente 37,5 mil toneladas de materiais potencialmente recicláveis.

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A coleta seletiva, entretanto, recolheu 3,86 mil toneladas.

Isso significa que o volume captado seletivamente correspondeu a aproximadamente 10,3% do potencial reciclável estimado no lixo produzido pela cidade.

A diferença ajuda a dimensionar o desafio: milhares de toneladas de materiais com possibilidade de reaproveitamento continuam misturadas aos resíduos comuns.

Nem tudo que chega à coleta seletiva é aproveitado
Outro dado chama atenção.

Das 3.862 toneladas recolhidas seletivamente em 2024, as cooperativas Reciclador Solidário e Ecosolidar comercializaram aproximadamente 1.627 toneladas.

O indicador municipal aponta que esse volume equivale a 42,2% do total recolhido pela coleta seletiva.

A estimativa de rejeitos na triagem ficou em 57,8%.

A própria documentação municipal faz uma ressalva importante: esse percentual de rejeitos foi estimado com base no ano anterior devido à falta de balança na cooperativa.

Mesmo assim, o indicador evidencia outro problema da cadeia da reciclagem: colocar um material no recipiente de recicláveis não significa necessariamente que ele será recuperado.

Resíduos contaminados por restos de alimentos, materiais sem mercado para reciclagem e objetos descartados de maneira inadequada podem acabar rejeitados durante a triagem.

Compostagem enfrenta problema com descarte de vidro
Os resíduos orgânicos representam outra frente importante.

A revisão do planejamento municipal de saneamento informa que a unidade de compostagem da Central de Tratamento de Resíduos enfrenta dificuldades para operar devido à presença de fragmentos de vidro misturados ao material orgânico.

Segundo o documento, o vidro prejudica o processo de peneiramento necessário à compostagem.

O problema mostra como a separação incorreta dentro das próprias residências pode interferir nas etapas seguintes do tratamento.

Para onde vai o lixo de Piracicaba?
Os resíduos domiciliares recolhidos na cidade são encaminhados para a Central de Tratamento de Resíduos Palmeiras, a CTR Palmeiras, localizada na Rodovia Deputado Laércio Corte, a SP 147.

O complexo recebe e processa os resíduos recolhidos pelo sistema municipal.

O planejamento de saneamento mais recente consultado pelo Via informa que o aterro da CTR Palmeiras possui licenciamento projetado até 2054.

Já o antigo aterro do Pau Queimado deixou de receber resíduos em 2017 e está inserido no processo de encerramento previsto pelo município.

Além do lixo domiciliar, Piracicaba possui fluxos diferentes para resíduos de construção, restos de jardinagem, madeira, materiais volumosos, eletroeletrônicos, lâmpadas, pilhas, baterias, pneus e resíduos de serviços de saúde.

Gestão dos resíduos movimenta milhões
O tamanho da operação também aparece nas contas públicas.

Os indicadores municipais de 2024 registram R$ 95,3 milhões na categoria que reúne serviços relacionados aos resíduos domiciliares, resíduos públicos e outros serviços da parceria responsável pela limpeza urbana.

Esse valor não deve ser interpretado como custo exclusivo da coleta do lixo das residências. A rubrica inclui diferentes atividades de limpeza pública e manejo de resíduos.

Quando consideradas outras despesas relacionadas no levantamento, como varrição, resíduos de saúde, transporte e destinação de materiais dos ecopontos, poda, corte de mato, equipamentos e outros serviços, o relatório registra despesas superiores a R$ 218 milhões.

A comparação mostra que reduzir a geração e aumentar o reaproveitamento dos resíduos não é apenas uma questão ambiental. A gestão do lixo também representa uma operação relevante para o orçamento municipal.

Ecopontos também recebem milhares de toneladas
Além da coleta convencional, os ecopontos têm participação no sistema municipal.

Esses locais recebem gratuitamente pequenos volumes de resíduos da construção civil, madeira e restos de jardinagem levados por pessoas físicas, dentro dos limites estabelecidos pelo município.

No início de 2025, por exemplo, uma operação emergencial da Prefeitura retirou aproximadamente 3,4 mil toneladas de resíduos acumulados em cinco ecopontos que estavam em situação considerada crítica.

Os ecopontos não devem receber lixo doméstico, resíduos hospitalares, produtos químicos ou industriais e outros materiais que possuem sistemas específicos de destinação.

Semana Lixo Zero coloca discussão em pauta
A discussão ocorre justamente durante a II Semana Lixo Zero Piracicaba.

A programação reúne atividades entre os dias 21 e 25 de setembro, além de ações realizadas no período ampliado da mobilização, com palestras, oficinas, visitas técnicas e debates sobre gestão de resíduos e economia circular.

A iniciativa foi instituída no calendário municipal pela Lei nº 10.086/2024.

Mais do que discutir o destino do lixo depois que ele chega ao caminhão, o conceito de lixo zero propõe reduzir a quantidade produzida, reutilizar materiais e ampliar a reciclagem.

Os números de Piracicaba mostram o tamanho desse desafio.

Se as 139 mil toneladas recolhidas em 2024 fossem distribuídas igualmente ao longo do ano, a cidade teria colocado nas ruas cerca de 381 toneladas de resíduos domiciliares todos os dias.

Enquanto isso, de cada 100 quilos recolhidos pelo sistema convencional, apenas uma pequena parcela equivalente ao volume captado pela coleta seletiva segue inicialmente para essa cadeia específica.

A distância entre o potencial de reciclagem e aquilo que efetivamente é separado mostra que o destino do lixo de Piracicaba começa muito antes da chegada do caminhão: começa dentro de cada residência.

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