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Piracicaba registra inverno mais chuvoso em 110 anos e supera recorde de 1927

Dados da Esalq/USP apontam volume histórico de chuva na cidade; precipitações favoreceram reservatórios e agricultura, mas também atrasaram colheitas de café e cana
Por: Redação
26 de setembro de 2026 - 8:00 AM

Piracicaba registrou em 2026 o inverno mais chuvoso dos últimos 110 anos, segundo dados da Estação Meteorológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O volume de precipitação superou o recorde anterior, registrado em 1927, quando foram contabilizados 350,5 milímetros de chuva.

O levantamento faz parte de uma série histórica iniciada em 1917 e mostra um inverno marcado não apenas pelo grande volume de água, mas também pela forma como as precipitações ocorreram: as chuvas foram distribuídas ao longo dos três meses da estação.

O cenário trouxe efeitos positivos para a disponibilidade de água e para parte da agricultura, mas também provocou dificuldades para produtores que estavam em período de colheita.

Chuva foi distribuída durante o inverno
Apesar do recorde histórico, Piracicaba não enfrentou um único episódio responsável pela maior parte do acumulado.

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De acordo com o professor Fabio Marin, da área de Engenharia de Biossistemas da Esalq, as precipitações ocorreram de maneira distribuída ao longo dos três meses.

Essa característica diferencia o cenário de situações em que grandes volumes de água caem em um intervalo curto de tempo.

A distribuição das chuvas permite melhor aproveitamento da água pela vegetação, agricultura e reservatórios e reduz os impactos associados a precipitações muito intensas e concentradas.

É possível relacionar o recorde ao El Niño?
Embora anos muito chuvosos da série histórica apresentem algumas coincidências com episódios de El Niño, os dados disponíveis não permitem afirmar que o fenômeno climático tenha sido diretamente responsável pelo recorde registrado em 2026.

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Segundo Marin, outros quatro anos da série histórica com precipitações elevadas também coincidiram com episódios fortes de El Niño.

Por outro lado, houve ocorrências do fenômeno em que Piracicaba registrou pouca chuva.

Por isso, o pesquisador considera que ainda não é possível estabelecer uma relação direta entre El Niño e o inverno excepcionalmente chuvoso deste ano. A variabilidade natural do clima também pode ajudar a explicar o comportamento observado.

Chuva ajuda reservatórios e próximas safras
No campo, os efeitos do inverno chuvoso variam de acordo com a cultura e o estágio da produção.

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A maior disponibilidade de água favorece a vegetação e contribui para a recuperação dos reservatórios, além de criar condições mais favoráveis para as próximas safras.

A expectativa é que a disponibilidade hídrica também beneficie o plantio de grãos e o desenvolvimento das plantas para as safras de 2027.

Café e cana enfrentam dificuldades
Se por um lado a chuva representa maior disponibilidade de água, por outro pode dificultar operações agrícolas que dependem de períodos mais secos.

Produtores de café e cana de açúcar enfrentaram impactos no curto prazo porque as chuvas atrasaram a colheita dessas culturas.

O cenário cria um contraste para o setor agrícola da região: parte da produção atual pode enfrentar dificuldades operacionais, enquanto a água acumulada no solo e nos reservatórios tende a beneficiar os próximos ciclos produtivos.

Próximos meses também podem ter chuva acima da média
Os modelos meteorológicos analisados pela Esalq indicam possibilidade de precipitações acima da média no Estado de São Paulo durante os próximos meses.

A previsão, porém, deve ser interpretada com cautela.

Fabio Marin ressalta que a variabilidade climática impede previsões categóricas sobre o comportamento das chuvas.

No setor agrícola, a expectativa é de que a maior disponibilidade de água registrada neste inverno possa contribuir para o plantio de grãos e oferecer melhores condições para as safras de 2027.

O recorde de 2026 passa a integrar uma série meteorológica de mais de um século acompanhada pela Esalq em Piracicaba e supera a marca que permanecia como referência desde 1927.

 

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