Menu Modal Responsivo - Jornal VIA

Publicidade

ONU alerta para “falência hídrica” global diante do uso excessivo da água doce

Pesquisadores afirmam que o planeta já ultrapassou crises pontuais e vive um colapso estrutural dos sistemas hídricos, agravado pelas mudanças climáticas
Por: Redação
26 de janeiro de 2026 - 9:48 AM

O mundo entrou em um estágio crítico de esgotamento dos recursos hídricos, definido por especialistas como uma verdadeira “falência hídrica”. O alerta foi feito por pesquisadores ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), que apontam que o consumo de água doce já supera, de forma contínua, a capacidade de reposição natural em diversas regiões do planeta.

De acordo com estudos recentes, cerca de 4 bilhões de pessoas, quase metade da população mundial, enfrentam escassez severa de água por ao menos um mês ao ano. Os impactos desse cenário já são visíveis: reservatórios secos, cidades afundando devido à superexploração de aquíferos, perdas agrícolas, racionamentos, incêndios florestais mais frequentes e aumento de tempestades de poeira e areia.

O conceito de “falência hídrica” vai além de períodos isolados de seca. Trata-se de uma condição crônica, que ocorre quando um território utiliza mais água do que a natureza consegue repor de forma confiável, ao mesmo tempo em que degrada os ecossistemas responsáveis por armazenar e filtrar esse recurso, como zonas úmidas, rios e aquíferos. Segundo os pesquisadores, muitos desses sistemas já não conseguem retornar às condições naturais históricas.

Exemplos dessa situação se espalham pelo mundo. Em Teerã, no Irã, a combinação entre secas prolongadas e uso insustentável da água reduziu drasticamente os reservatórios que abastecem a capital, ampliando tensões sociais e políticas. Nos Estados Unidos, a demanda crescente superou a capacidade do Rio Colorado, fonte essencial de água potável e irrigação para sete estados. Situações semelhantes são observadas em diversas regiões da Ásia, África e América Latina.

📲 Participe da nossa comunidade e não perca nenhuma matéria!

Um dos efeitos mais graves da superexploração hídrica é a subsidência do solo, o afundamento gradual da terra causado pelo esvaziamento de aquíferos. Estima-se que mais de 6 milhões de quilômetros quadrados no mundo já tenham sido afetados por esse fenômeno, incluindo áreas urbanas onde vivem cerca de 2 bilhões de pessoas. Cidades como Jacarta, Bangkok, Ho Chi Minh e a Cidade do México enfrentam afundamentos expressivos e irreversíveis.

A agricultura, responsável por aproximadamente 70% do consumo global de água doce, é uma das atividades mais impactadas. Regiões sob estresse hídrico elevado enfrentam queda na produtividade, aumento de custos e insegurança alimentar. Hoje, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem em áreas onde a capacidade de armazenamento de água está diminuindo ou se tornou instável, colocando em risco mais da metade da produção mundial de alimentos.

As mudanças climáticas intensificam esse cenário ao alterar padrões de chuva, aumentar a frequência e a duração das secas e acelerar o derretimento de geleiras, importantes reservas naturais de água doce. Entre 2022 e 2023, mais de 1,8 bilhão de pessoas foram expostas a condições severas de seca em diferentes momentos.

Para os pesquisadores, reverter ou ao menos conter a falência hídrica exige uma mudança profunda na forma como a água é gerida. Entre as principais recomendações estão o estabelecimento de limites reais de uso da água, a proteção e recuperação de ecossistemas naturais, a adoção de políticas de uso mais justo e eficiente e o investimento em monitoramento por satélite para acompanhar a disponibilidade e a qualidade dos recursos hídricos.

📲 Participe da nossa comunidade e não perca nenhuma matéria!

“O desafio não é apenas técnico, mas também cultural e político”, alertam os especialistas.

Assim como na falência financeira, o colapso hídrico obriga sociedades a reverem hábitos, prioridades e modelos de desenvolvimento. Segundo o estudo, insistir em um consumo acima dos limites naturais pode levar a crises sociais, econômicas e ambientais ainda mais profundas, enquanto aprender a viver dentro das condições hidrológicas pode ser o caminho para evitar um colapso irreversível.

×