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Eles jogam videogame e ganham milhões: entenda o gigantesco mundo dos eSports

Competições profissionais de jogos eletrônicos já lotam arenas, movimentam grandes premiações e transformam jogadores em estrelas internacionais; mercado também se aproxima cada vez mais do Movimento Olímpico.
Por: Redação
7 de agosto de 2026 - 12:29 PM

Esqueça por alguns minutos a imagem do adolescente jogando videogame sozinho no quarto. Os jogos eletrônicos ganharam arenas lotadas, equipes profissionais, técnicos, patrocinadores, transmissões acompanhadas por milhões de pessoas e campeonatos capazes de distribuir dezenas de milhões de dólares.

Esse é o universo dos eSports, abreviação de electronic sports, ou esportes eletrônicos.

Durante décadas, o videogame foi tratado principalmente como entretenimento. Com a expansão da internet, porém, jogadores passaram a competir em tempo real contra adversários de diferentes países. As disputas se profissionalizaram, surgiram equipes, ligas, transmissões especializadas e grandes eventos internacionais.

Afinal, o que são eSports?
De forma simples, eSports são competições organizadas de videogame.

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A estrutura se aproxima da encontrada nos esportes tradicionais: há jogadores profissionais, equipes, treinadores, calendários competitivos, patrocinadores, torcedores e premiações.

O que muda é o ambiente da disputa. Em vez do gramado, da quadra ou da pista, os confrontos acontecem dentro de jogos digitais, por meio de computadores, consoles ou outros dispositivos.

E não basta apenas jogar bem. No nível profissional, reflexos rápidos, estratégia, comunicação, capacidade de trabalhar em equipe e decisões tomadas em poucos segundos podem definir uma partida.

League of Legends ajuda a entender o fenômeno
Um dos maiores exemplos desse universo é League of Legends, conhecido como LoL.

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Nas partidas competitivas tradicionais, duas equipes de cinco jogadores se enfrentam em um mapa virtual. Cada participante controla um personagem, chamado de campeão, com habilidades e características próprias.

O objetivo é avançar pelo mapa e destruir o Nexus, estrutura localizada na base da equipe adversária.

Na prática, a disputa exige muito mais do que velocidade. Os jogadores precisam controlar áreas do mapa, administrar recursos, atacar e defender posições, prever movimentos dos adversários e executar estratégias coletivas.

Por isso, equipes profissionais treinam regularmente e contam com profissionais responsáveis pela preparação e análise dos adversários.

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Existe um “Pelé” dos videogames?
No League of Legends, um nome se tornou símbolo dessa profissionalização: o sul coreano Lee Sang-hyeok, conhecido como Faker.

Em 2024, a Riot Games escolheu Faker como o primeiro integrante do Hall of Legends, reconhecimento criado para homenagear os principais nomes da história competitiva do LoL.

Sua trajetória ajuda a mostrar como a carreira nos games mudou. Um jogador altamente habilidoso pode atualmente representar uma organização profissional, disputar competições internacionais, conquistar patrocinadores e construir uma audiência global.

Faker tornou-se uma das figuras mais conhecidas dos eSports e é frequentemente apontado como um dos maiores jogadores da história do cenário competitivo.

Dá mesmo para ganhar milhões?
Sim. Mas essa realidade está restrita a uma parcela muito pequena dos jogadores profissionais.

A Esports World Cup de 2025 anunciou uma premiação total superior a US$ 70 milhões, reunindo cerca de 2 mil jogadores de elite, aproximadamente 200 clubes, representantes de mais de 100 países e competições envolvendo 24 jogos.

Entre os maiores vencedores em premiações está o dinamarquês Johan Sundstein, conhecido como N0tail, um dos principais nomes da história de Dota 2. Ele acumulou aproximadamente US$ 7,18 milhões em prêmios conquistados durante torneios ao longo da carreira.

E esses valores consideram apenas o dinheiro recebido em competições. Salários, contratos publicitários, patrocínios e receitas provenientes da produção de conteúdo podem elevar significativamente os ganhos dos principais jogadores.

Como um jogador profissional ganha dinheiro?
A renda de um jogador de eSports pode vir de diferentes fontes.

Profissionais contratados por organizações costumam receber salários e podem ficar com parte das premiações conquistadas pela equipe. Os jogadores de maior projeção também fecham contratos publicitários, participam de campanhas de marcas e produzem conteúdo para plataformas de vídeo e transmissão ao vivo.

Alguns deixam de ser apenas competidores e transformam o próprio nome em uma marca.

Nesse ponto, a lógica se aproxima do esporte tradicional. O desempenho competitivo gera audiência, e essa audiência passa a ter valor comercial para patrocinadores e empresas.

Existem campeonatos de quais jogos?
O universo dos eSports não se resume ao League of Legends.

Existem campeonatos profissionais de Counter-Strike 2, Valorant, Dota 2, Fortnite, EA Sports FC, Rocket League, Rainbow Six e diversos outros títulos.

Cada modalidade exige habilidades diferentes.

Jogos de tiro podem exigir precisão, reflexos e posicionamento. Jogos de estratégia valorizam planejamento e coordenação entre os participantes. Games de luta, futebol e outras modalidades também possuem características próprias.

Por isso, dizer que uma pessoa é “jogador profissional de videogame” é algo tão amplo quanto dizer que alguém é atleta. A pergunta seguinte seria: atleta de qual modalidade?

Brasil também tem tradição nos eSports
O Brasil construiu uma presença importante no cenário competitivo internacional.

Jogadores e equipes brasileiras conquistaram reconhecimento e títulos em diferentes modalidades, especialmente em jogos como Counter-Strike, Rainbow Six e Free Fire.

O país também possui uma enorme comunidade de criadores de conteúdo, transmissões ao vivo e torcedores que acompanham as principais equipes.

Para parte da geração mais jovem, assistir a uma grande final de eSports produz uma experiência semelhante à de acompanhar uma decisão de futebol. Existem rivalidades, ídolos, torcidas e a expectativa de descobrir quem será campeão.

eSports chegaram ao Movimento Olímpico
Os jogos eletrônicos também começaram a ocupar espaços dentro do esporte institucional.

Nos Jogos Asiáticos de Hangzhou, realizados em 2023, os eSports foram disputados oficialmente valendo medalhas. A competição reuniu 473 atletas de 30 Comitês Olímpicos Nacionais, distribuídos em sete jogos.

O Comitê Olímpico Internacional também ampliou sua aproximação com o setor ao estabelecer os Olympic Esports Games.

O movimento mostra como uma atividade que durante muito tempo foi considerada apenas diversão passou a ocupar espaços que seriam difíceis de imaginar algumas décadas atrás.

Mas qualquer pessoa consegue viver de videogame?
Não.

Milhões de pessoas jogam videogame, mas apenas uma pequena parcela consegue alcançar o nível profissional. E um grupo ainda menor chega à elite internacional e conquista grandes salários, premiações e patrocínios.

A comparação com o futebol ajuda a compreender essa diferença.

Milhões de crianças e adolescentes jogam bola e sonham em se tornar profissionais, mas pouquíssimos chegam aos principais clubes do mundo. Nos eSports, a lógica é semelhante.

Talento é importante, mas a profissionalização também exige treinamento intenso, disciplina, preparação emocional, conhecimento profundo do jogo e capacidade de competir sob pressão.

Do quarto para arenas lotadas
O videogame não deixou de ser diversão. O que aconteceu foi o surgimento de uma segunda dimensão.

Para milhões de pessoas, continua sendo entretenimento. Para outras, tornou-se competição. Para uma pequena elite, virou profissão. E, para alguns dos melhores jogadores do planeta, transformou-se em uma carreira capaz de movimentar milhões.

Da próxima vez que você encontrar uma arena lotada, com milhares de pessoas gritando enquanto jogadores estão sentados diante de computadores, talvez a cena pareça menos estranha.

Você está diante de uma competição de uma geração que nasceu conectada.

O estádio mudou. A torcida continua lá.

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