A Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria Municipal de Educação, realizou nesta quinta-feira (19) a aula inaugural do curso Formação Histórico Social e Questão Étnico Racial no Brasil I. A atividade ocorreu no Centro de Formação Educacional Professor Antônio Carlos de Mendes Thame e reuniu cerca de 300 professores e gestores da rede municipal, nos períodos da manhã e da tarde.
A formação integra as ações da administração municipal voltadas à promoção da diversidade e da igualdade étnico racial no ambiente escolar. Presente na abertura, a secretária municipal de Educação, Juliana Vicentin, destacou que a iniciativa está alinhada às diretrizes da gestão do prefeito Helinho Zanatta e reforça o compromisso com a construção de uma educação mais inclusiva.
Segundo a secretária, investir na formação continuada dos profissionais é um passo essencial para transformar a prática pedagógica.
“É a formação que fortalece o nosso trabalho e amplia o olhar dos educadores. Professores e diretores se tornam multiplicadores de conhecimento e de estratégias dentro das escolas, contribuindo para romper barreiras e enfrentar situações de violência e racismo ainda presentes no dia a dia”, afirmou.
Com carga horária de 60 horas e término previsto para novembro, o curso terá encontros quinzenais, combinando atividades teóricas e práticas. A condução ficará a cargo da doutora em História Social, Marilda Soares.
Ao longo da formação, serão discutidos temas como educação étnico racial, pedagogia antirracista e letramento racial, além da história da África e das populações africanas e afrodescendentes no Brasil. Também estarão em pauta a história e cultura afro-brasileira e indígena, conforme determinam as Leis 10.639/03 e 11.645/08. O conteúdo inclui ainda reflexões sobre memória, construção de espaços urbanos e a presença da população negra na formação histórico social do país.
De acordo com Marilda Soares, a iniciativa é relevante tanto do ponto de vista pedagógico quanto legal. Ela lembra que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no artigo 26 A, estabelece a obrigatoriedade do ensino de educação étnico racial em todos os níveis.
“Mesmo com essa previsão legal, a aplicação ainda não ocorre de maneira efetiva em todo o país”,
ressaltou, destacando que muitos docentes não tiveram formação específica sobre o tema durante a graduação.
A professora também informou que, em julho de 2024, Piracicaba aderiu à Política Nacional de Educação Étnico Racial, voltada à promoção da equidade e ao fortalecimento da educação escolar quilombola. Segundo ela, o novo curso dá continuidade a ações já desenvolvidas no município e amplia o acesso à capacitação para profissionais que ainda não haviam participado das formações anteriores.
A iniciativa reforça o papel da escola pública como espaço de construção de cidadania e enfrentamento às desigualdades históricas, com impacto direto na formação das novas gerações em Piracicaba.





