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Professores recebem 95 licenças médicas por dia por transtornos mentais em SP, aponta levantamento

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram impacto crescente da saúde mental entre educadores; governo diz que reforça ações de prevenção e cuidado.
Por: Redação
17 de novembro de 2025 - 11:27 AM

Entre janeiro e setembro deste ano, o governo de São Paulo concedeu, em média, 95 licenças médicas por dia para professores da rede estadual devido a transtornos relacionados à saúde mental. Os dados fazem parte de um levantamento do Centro do Professorado Paulista (CPP), elaborado com base em informações enviadas pela Diretoria de Perícias Médicas do Estado (DPME) após solicitação via Lei de Acesso à Informação.

O volume de afastamentos autorizados após perícia médica revela um cenário de forte impacto emocional sobre os profissionais da educação. Segundo o CPP, a tendência reflete o acúmulo de pressões cotidianas nas unidades escolares, agravadas pelas mudanças sociais e pedagógicas dos últimos anos.

Em nota, o diretor geral da entidade, Alessandro Soares, afirmou que os números evidenciam a gravidade da situação. “Esses números são um grito de alerta. O professor está adoecendo a cada dia”, declarou. A associação afirma que faltam políticas estruturadas de prevenção, acolhimento e acompanhamento psicológico aos educadores.

A Secretaria da Educação do Estado disse, também em nota, que acompanha os indicadores de saúde dos servidores em parceria com a DPME e que tem ampliado iniciativas de cuidado. “A Seduc SP destaca que os desafios contemporâneos da educação, como as transformações vividas no período pós pandemia, a integração responsável de tecnologias ao ambiente escolar e as novas demandas pedagógicas e sociais, têm trazido novos desafios aos educadores. Com foco na valorização e no bem-estar dos profissionais da rede, a Pasta vem fortalecendo suas políticas de acolhimento, escuta e prevenção”, afirmou a gestão estadual.

O tema tem mobilizado escolas e grupos de educadores em todo o estado, incluindo regiões próximas a Piracicaba, onde relatos de adoecimento emocional se tornaram mais frequentes nos últimos anos. Para especialistas, o avanço das licenças médicas reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de suporte psicológico, formação continuada e melhoria das condições de trabalho.

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