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FMI corta estimativa e prevê crescimento mais fraco da economia brasileira em 2026

Impacto de tarifas dos Estados Unidos pesa sobre projeções; país deve crescer abaixo da média da América Latina e dos mercados emergentes
Por: Redação
21 de janeiro de 2026 - 1:58 PM

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a revisar para baixo a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (19), a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avance 1,6% neste ano, resultado 0,3 ponto percentual inferior à estimativa apresentada em outubro.

Caso o cenário se confirme, o desempenho representará uma desaceleração de quase um ponto percentual em relação a 2025, quando o PIB brasileiro deve ter registrado crescimento de 2,5%. As projeções constam da atualização do relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), elaborado pelo FMI.

De acordo com o organismo internacional, parte da revisão negativa está associada ao impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O Brasil foi um dos países mais afetados pela política comercial do governo de Donald Trump, com alíquotas que chegaram a 50% sobre determinadas exportações. Embora a tarifa adicional de 40% tenha sido revogada em novembro do ano passado, uma parcela significativa dos produtos brasileiros ainda enfrenta uma carga combinada de 50%, somando tarifas recíprocas e medidas específicas.

Na avaliação do Fundo, a economia brasileira só deve apresentar aceleração mais consistente a partir de 2027, quando a projeção de crescimento é de 2,3%, ligeiramente acima da estimativa anterior.

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Ainda assim, o ritmo de expansão previsto para o Brasil permanece abaixo da média esperada para a América Latina e o Caribe. Para a região, o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026 e de 2,7% em 2027, destacando que os países latino-americanos atravessam diferentes estágios do ciclo econômico.

O relatório também chama atenção para o risco de agravamento das tensões geopolíticas na América Latina, com potencial de provocar choques negativos de oferta. O Fundo, no entanto, não cita diretamente a situação da Venezuela, que passou por ataques dos Estados Unidos em janeiro, culminando na queda do então ditador Nicolás Maduro.

A distância entre o desempenho brasileiro e o de outros mercados emergentes é ainda mais expressiva. Para 2026, o FMI estima crescimento médio de 4,2% para economias emergentes e em desenvolvimento, mais que o dobro da taxa projetada para o Brasil. Em 2027, a expectativa é de expansão de 4,1% para esse grupo de países.

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