A sequência de liquidações de instituições financeiras no Brasil reacendeu o alerta entre investidores sobre a importância de avaliar com cuidado onde aplicar recursos. Em um cenário de instabilidade no sistema financeiro, escolher um banco apenas pela rentabilidade oferecida pode representar riscos significativos ao patrimônio.
Desde novembro de 2025, o Banco Central já decretou a liquidação de seis instituições financeiras, medida extrema adotada quando há comprometimento da situação econômico-financeira, insolvência ou riscos ao sistema. A decisão mais recente ocorreu na última quarta-feira (21), com a liquidação do Will Bank, no contexto do chamado caso Master.
Quando uma instituição é liquidada, os clientes passam automaticamente à condição de credores e precisam recorrer ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reaver os valores aplicados. O FGC assegura a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o total de depósitos e créditos cobertos por instituição ou conglomerado prudencial.
O caso Master, que culminou na liquidação de diversas instituições, é apontado por especialistas como um exemplo claro de que retornos elevados nem sempre caminham junto com segurança. Segundo a Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (Abradeb), o episódio serve como um importante sinal de alerta para investidores, especialmente os de varejo.
A entidade ressalta que a escolha de uma instituição financeira deve se basear em três pilares fundamentais: solidez, garantia e rentabilidade, nessa ordem. Avaliar apenas os ganhos prometidos pode expor o investidor a riscos desnecessários.
Entre os principais indicadores de solidez está o Índice de Basileia, que mede a relação entre o capital próprio do banco e os riscos assumidos. No Brasil, o mínimo exigido pelo Banco Central é de 10,5%, mas especialistas consideram mais seguros os bancos com índices acima de 15%. Quanto maior esse percentual, maior a capacidade da instituição de absorver perdas inesperadas.
Outro fator relevante é o rating de crédito, atribuído por agências como S&P, Moody’s e Fitch, que avaliam a capacidade de o banco honrar seus compromissos financeiros. Notas elevadas indicam baixo risco, enquanto rebaixamentos sucessivos devem ser interpretados como sinal de atenção.
A análise de lucros recorrentes também é essencial. Bancos que apresentam resultados consistentes ao longo do tempo tendem a ter operações mais estáveis e sustentáveis.
Além disso, verificar se os produtos oferecidos contam com a cobertura do FGC é uma etapa indispensável. Aplicações como CDBs, LCIs, LCAs, além de depósitos em conta corrente e poupança, são protegidas pelo fundo dentro do limite estabelecido.
A Abradeb alerta ainda para ofertas com rentabilidade muito acima da média do mercado. Em muitos casos, instituições com dificuldades financeiras utilizam taxas elevadas como estratégia para captar recursos rapidamente, o que pode indicar maior risco de crédito.
Entre as modalidades consideradas mais seguras estão os títulos do Tesouro Direto, especialmente o Tesouro Selic, que têm garantia do Governo Federal. Também figuram entre as opções de menor risco os CDBs, LCIs e LCAs emitidos por bancos de grande porte e a caderneta de poupança, embora esta última tenha rendimento mais baixo.
Embora não seja possível prever com exatidão quando um banco será liquidado, alguns sinais podem ser monitorados, como queda constante nos indicadores financeiros, prejuízos recorrentes, ofertas agressivas de captação e notícias negativas envolvendo a instituição. Em muitos casos, antes da liquidação, o Banco Central adota regimes especiais de administração, como o RAET (Regime de Administração Especial Temporária).
Diante desse cenário, especialistas reforçam que informação, cautela e análise criteriosa são as principais ferramentas para proteger o dinheiro e evitar prejuízos em momentos de instabilidade no sistema financeiro.





