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Lula alerta para retorno do uso da força militar na América Latina e defende paz regional em cúpula internacional

Presidente brasileiro reforça compromisso com o diálogo e o multilateralismo durante encontro entre Celac e União Europeia, na Colômbia
Por: Redação
10 de novembro de 2025 - 12:27 PM

Durante a 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia (UE), realizada neste domingo (9) em Santa Marta, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe”. A declaração foi feita em meio à crescente presença militar norte-americana na região e às tensões diplomáticas entre os Estados Unidos, a Venezuela e países caribenhos.

Sem citar diretamente o governo de Donald Trump, Lula disse que a América Latina é uma região de paz e deve permanecer assim. “Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz”, afirmou.

O presidente brasileiro também destacou a importância da cooperação entre os países do hemisfério para combater o crime organizado, o tráfico de armas e as ameaças à democracia, ressaltando que “nenhum país pode enfrentar sozinho esses desafios”. Segundo ele, a segurança deve ser tratada como um “direito humano fundamental” e não como justificativa para ações militares externas.

O encontro ocorre em meio à pressão de Washington para que países latino-americanos classifiquem organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas proposta que divide opiniões na região. Lula defendeu que o combate à criminalidade deve ocorrer dentro dos marcos constitucionais e com respeito aos direitos humanos.

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Durante o evento, o presidente colombiano Gustavo Petro também criticou as sanções impostas pelos Estados Unidos ao seu governo, afirmando que a América Latina e a Europa devem “agir de forma unificada contra qualquer barbárie”.

Lula aproveitou o discurso para defender o fortalecimento do multilateralismo e o avanço das negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, além de reafirmar o papel do Brasil na transição energética e na proteção ambiental, temas centrais da COP30, que será realizada em Belém (PA). O presidente deixou temporariamente o evento climático para participar da cúpula na Colômbia.

“Nossa região é fonte segura e confiável de energia limpa e pode acelerar a redução da dependência dos combustíveis fósseis. Queremos que as florestas valham mais em pé do que derrubadas”, declarou Lula, ao citar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa brasileira que busca incentivar a preservação ambiental nos países em desenvolvimento.

O presidente também mencionou que a América Latina vive “uma crise de integração”, com divisões políticas e ideológicas que dificultam o diálogo regional. “Voltamos a conviver com as ameaças do extremismo político, da manipulação da informação e do crime organizado”, afirmou.

Contexto regional e impacto para Piracicaba

Especialistas apontam que o discurso de Lula reforça o papel do Brasil como mediador e voz de equilíbrio nas relações internacionais, o que tem impacto direto sobre o ambiente econômico e comercial do país.

Em Piracicaba, região com forte vocação exportadora especialmente no setor sucroalcooleiro e de biotecnologia, a manutenção da estabilidade diplomática é vista como essencial para preservar o fluxo de exportações e investimentos estrangeiros. Tensões internacionais e sobretaxas podem afetar indústrias locais ligadas à exportação de etanol, açúcar e tecnologia agrícola.

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