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Rochas do salto do Rio Piracicaba ajudam a explicar a separação entre Brasil e África

Formações magmáticas têm cerca de 135 milhões de anos e estão ligadas à abertura do Oceano Atlântico
Por: Redação
5 de janeiro de 2026 - 9:29 AM

Quem caminha às margens do Rio Piracicaba, em Piracicaba, talvez não imagine que as rochas escuras que sustentam o leito do rio e formam o tradicional salto estão diretamente ligadas a um dos eventos mais importantes da história geológica do planeta: a separação entre o Brasil e a África e o surgimento do Oceano Atlântico.

As formações são compostas por rochas magmáticas, originadas a partir de um grande derramamento de lava ocorrido há cerca de 135 milhões de anos, durante o processo de fragmentação do antigo supercontinente Gondwana.

“Quando começou a separação entre Brasil e África, surgiram falhas geológicas muito profundas. Essas falhas permitiram que o magma, que está em profundidade, extravasasse e cortasse as camadas de rochas da região. Este ponto do rio marca exatamente onde houve esse extravasamento”, explica o professor doutor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências da Unicamp.

Fenômeno ocorreu em grande parte da América do Sul

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O derramamento de lava que formou as rochas do Rio Piracicaba não foi um evento isolado. Ele ocorreu em toda a Bacia do Paraná, uma extensa área geológica que abrange regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, além de partes do Paraguai, Argentina e Uruguai.

Nessa região, predominam rochas sedimentares intercaladas com grandes volumes de rochas magmáticas, também chamadas de rochas ígneas ou vulcânicas, resultado da intensa atividade geológica do período.

Próximo ao salto do rio está a Pedreira do Bongue, um exemplo de rocha sedimentar formada por argilito, de coloração avermelhada ou arroxeada, e arenito, composto basicamente por areia compactada.

Patrimônio geológico e projeto de geoparque

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As rochas do Rio Piracicaba e a Pedreira do Bongue fazem parte da geodiversidade que o Geoparque Corumbataí pretende preservar, valorizar e difundir.

“O que vemos aqui é um registro direto da abertura do Oceano Atlântico. Quando alguém toca uma dessas rochas, está tocando um momento inicial desse processo geológico”, afirma o professor Alexandre Perinotto, docente do curso de Geologia da Unesp de Rio Claro e coordenador científico do projeto.

Segundo Perinotto, a proposta do geoparque é classificar os sítios geológicos, instalar placas e totens explicativos e aproximar a população desse patrimônio natural, além de fomentar o turismo científico e cultural.

O projeto reúne pontos de interesse em nove cidades da região: Analândia, Charqueada, Cordeirópolis, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Piracicaba, Rio Claro e Santa Gertrudes.

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Etapas do projeto Geoparque Corumbataí

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, o Plano Regional Integrado de Turismo da Serra do Itaqueri e do Geoparque Corumbataí está estruturado em duas fases.

Na primeira etapa, estão sendo elaborados os documentos técnicos exigidos pela Unesco, como o Plano de Gestão, o Plano de Geoturismo e o Plano de Patrimônio Geológico e Geoconservação, seguindo diretrizes internacionais.

A segunda fase prevê ações de comunicação, identidade visual do território e consolidação do plano turístico regional. Até o momento, não há data definida para o início dessa etapa.

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