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Piracicaba registra recorde de medidas protetivas a mulheres em 2025

Com DDM em funcionamento 24 horas e uso do Botão do Pânico, cidade teve média de três concessões por dia e maior número dos últimos seis anos
Por: Redação
5 de janeiro de 2026 - 2:07 PM

Piracicaba registrou em 2025 o maior número de medidas protetivas concedidas a mulheres vítimas de violência doméstica dos últimos seis anos. Dados do Painel da Violência Doméstica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, entre janeiro e outubro, foram 1.010 medidas concedidas, o que representa uma média de três decisões por dia.

O número quase dobrou em comparação com 2021 e confirma uma tendência de crescimento gradual ao longo dos últimos anos. Há seis anos, a média diária não chegava a duas concessões.

Agilidade e acesso à proteção

Segundo o CNJ, o tempo médio para concessão da medida protetiva em Piracicaba é atualmente de dois dias. Das 1.659 solicitações feitas no período, 92% foram atendidas pelo Judiciário. Outras 87 foram negadas, 431 revogadas e 131 prorrogadas.

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As medidas protetivas são decisões judiciais que têm como objetivo garantir a segurança da vítima, podendo impor restrições ao agressor, como afastamento e proibição de contato, além de acionar mecanismos de proteção institucional.

Fortalecimento da rede local

Para a presidente da Comissão das Mulheres da OAB Piracicaba, a advogada Danielle Pupin, o aumento reflete dois fatores simultâneos: o agravamento da violência doméstica e, principalmente, o fortalecimento da rede de proteção no município.

Ela destaca como decisivo o funcionamento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) 24 horas, que permite atendimento imediato e especializado no momento em que a violência ocorre. Outro ponto citado é a atuação da Patrulha Maria da Penha e a disponibilização do Botão do Pânico, que reduzem a subnotificação dos casos.

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“A partir do pedido da medida protetiva, a mulher deixa de estar sozinha. O Estado passa a protegê la oficialmente”, afirma.

Apesar dos avanços, a advogada avalia que ainda é necessário ampliar o efetivo policial e a estrutura física da DDM para acompanhar a demanda crescente.

Feminicídios e tempo de julgamento

Em relação aos casos de feminicídio, Piracicaba registrou 11 julgamentos em primeira instância entre janeiro e outubro de 2025, número que representa metade do total do ano anterior. No mesmo período, 14 processos ainda aguardavam julgamento.

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O CNJ aponta que o tempo médio entre o início do processo e o primeiro julgamento foi de 149 dias, o menor registrado nos últimos seis anos na cidade.

Como buscar ajuda em Piracicaba

A rede de proteção no município inclui diferentes canais de apoio:

Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram): oferece acolhimento com psicólogas, assistentes sociais e orientação jurídica, com atendimento sigiloso.

Casas de abrigo e Auxílio Aluguel: voltados a mulheres que precisam deixar o lar por risco iminente.

Emergência: ligar para o 153 (Guarda Civil) ou 190 (Polícia Militar). Denúncias anônimas podem ser feitas pelo Ligue 180.

Especialistas reforçam que qualquer pessoa pode denunciar situações de violência doméstica, mesmo que não seja a vítima direta.

Tipos de violência contra a mulher

De acordo com o Instituto Maria da Penha, a violência pode se manifestar de diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, muitas vezes ocorrendo de maneira combinada e progressiva.

O cenário registrado em Piracicaba evidencia avanços na proteção, mas também reforça a necessidade de atenção permanente, políticas públicas eficazes e engajamento social no enfrentamento à violência contra a mulher.

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