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São Paulo registra recorde de feminicídios em 2025 e acende alerta para violência contra mulheres

Capital paulista soma 53 casos entre janeiro e outubro, o maior número desde o início da série histórica; estado também registra aumento e especialistas apontam avanço da misoginia e melhor classificação dos casos.
Por: Redação
2 de dezembro de 2025 - 5:46 PM

A cidade de São Paulo atingiu em 2025 o maior número de feminicídios já registrado desde o início da série histórica da Secretaria de Segurança Pública, iniciada em 2015. Entre janeiro e outubro, foram confirmados 53 assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero. Mesmo sem os dados dos dois últimos meses do ano, a marca já supera todos os registros anteriores.

Os números foram levantados pela GloboNews com base no Portal da Transparência da SSP. Eles consideram somente os casos consumados e não incluem tentativas, como o episódio ocorrido no último sábado, quando uma mulher de 31 anos foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Zona Norte da capital.

No estado de São Paulo, o total de feminicídios também cresceu. Foram registradas 207 ocorrências entre janeiro e outubro, frente a 191 no mesmo período de 2024, alta de 8%.

Especialistas atribuem aumento a múltiplos fatores

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Para Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios, o crescimento das estatísticas reflete tanto o avanço da violência contra mulheres quanto a maior precisão na classificação dos casos após a implementação da Lei do Feminicídio, que tipifica o crime como homicídio qualificado e o define como hediondo.

Segundo ela, além do trabalho das autoridades de segurança, políticas públicas de educação, saúde, assistência social, habitação e renda precisam atuar de forma integrada para prevenir novos casos.

Casos graves reacendem debate

Dois crimes recentes reforçaram a preocupação. No sábado, 29 de novembro, Tainara Souza Santos, 31 anos, foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro por um ex-ficante. Ela perdeu as duas pernas e segue internada em estado grave. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso.

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Na segunda-feira, 1º de dezembro, Evelin de Souza Saraiva, 38 anos, foi baleada seis vezes dentro da pastelaria onde trabalha, no Jardim Fontalis. O agressor, Bruno Lopes Barreto, fugiu em uma moto e segue procurado. A vítima está internada na UTI do Hospital das Clínicas.

Respostas das autoridades

A Prefeitura de São Paulo informou que mantém uma rede de atendimento para mulheres vítimas de violência, incluindo Casas da Mulher, a Casa da Mulher Brasileira, centros de defesa e convivência, unidades de acolhimento e o programa Guardiã Maria da Penha, da GCM, responsável por atender e monitorar milhares de mulheres sob medidas protetivas.

O governo estadual afirmou que o combate à violência contra a mulher é prioridade e destacou iniciativas como a Cabine Lilás, as Delegacias de Defesa da Mulher, o aplicativo SP Mulher Segura e o monitoramento eletrônico de agressores que descumprem medidas protetivas.

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Contexto

O feminicídio passou a ser contabilizado em todo o país a partir de março de 2015, quando foi incluído no Código Penal como agravante do homicídio motivado por violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição de mulher. A pena varia de 12 a 30 anos.

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