A Polícia Militar foi acionada por um pai após a filha de 4 anos produzir um desenho da orixá Iansã durante uma atividade escolar na Escola Municipal de Ensino Infantil Antônio Bento, no Caxingui zona oeste de São Paulo. O caso ocorreu na quarta feira 12 e terminou com a entrada de quatro policiais armados dentro da unidade um deles portando arma de grosso calibre segundo relatos de professores e responsáveis.
O pai que não teve o nome divulgado afirmou que a criança estaria sendo submetida a uma suposta aula de religião africana e havia demonstrado insatisfação no dia anterior quando foi até a escola e rasgou um mural com desenhos feitos pelas crianças que traziam referências culturais afro brasileiras.
A direção da unidade havia convidado o pai para uma reunião de esclarecimentos mas ele não compareceu e acionou a PM. Funcionários e pais que presenciaram a ocorrência relataram que a atuação dos policiais foi hostil. A diretora Aline Aparecida Floriano Nogueira afirmou ter sido coagida durante cerca de 20 minutos ao ser questionada pelos agentes.
Segundo Aline o conteúdo aplicado está alinhado ao currículo antirracista da rede municipal que determina o ensino da história e da cultura afro brasileira e indígena. Os desenhos foram inspirados no livro Ciranda de Aruanda de Liu Oliveira que apresenta personagens baseados em orixás de forma lúdica para crianças. A diretora reforçou que a escola não realiza doutrinação religiosa e trabalha exclusivamente com conteúdos previstos nas diretrizes oficiais.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo confirmou que a atividade integra a proposta pedagógica da escola e está de acordo com o Currículo da Cidade. A Polícia Militar informou que abriu apuração para analisar a conduta dos agentes envolvidos e que as imagens das câmeras corporais serão avaliadas. A Secretaria de Segurança Pública disse ainda que foi registrado boletim de ocorrência por ameaça contra o pai feito por uma professora.
O caso motivou uma representação ao Ministério Público de São Paulo assinada pela deputada federal Luciene Cavalcanti pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador Celso Giannazi. O documento pede investigação do episódio e aponta grave intimidação e preconceito religioso afirmando que a atuação policial inverteu responsabilidades ao direcionar suspeitas à atividade pedagógica e não ao ato violento praticado pelo responsável que destruiu o mural.
Ofícios também foram enviados à Secretaria Municipal de Educação e à SSP SP cobrando posicionamento sobre o caso. O episódio reacende o debate sobre intolerância religiosa ambiente escolar e o cumprimento das leis que tornam obrigatório o ensino da cultura afro brasileira na educação básica.





