Na manhã desta terça-feira (28), uma megaoperação policial no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou ao menos 64 mortos, segundo fontes oficiais. A ação envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias civil e militar, com apoio de helicópteros e drones, e é considerada a maior operação contra o crime organizado já realizada no estado.
De acordo com o governo do Rio, o objetivo foi desarticular núcleos da facção Comando Vermelho, apontada como responsável pela expansão territorial e por ataques armados recentes na capital fluminense. Durante a operação, foram apreendidos 72 fuzis e grandes quantidades de drogas.
Além dos mortos, entre eles quatro policiais, as forças de segurança prenderam mais de 80 suspeitos. O governador Cláudio Castro classificou a ação como uma resposta ao “narcoterrorismo” e disse que o Estado “não se curvará ao crime”.
Civis entre as vítimas e críticas à falta de coordenação
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, confirmou a existência de vítimas civis e criticou o fato de o governo fluminense não ter solicitado apoio formal da União. Ele pediu investigação sobre o uso da força e sobre possíveis violações de direitos humanos durante a operação.
Moradores das comunidades relataram intensos tiroteios, incêndios e bloqueios de ruas, além de escolas e postos de saúde fechados. “Parecia uma guerra. A gente não sabia se podia sair de casa”, contou uma moradora do Alemão, em entrevista à imprensa local.
Organizações de direitos humanos pediram transparência nas investigações e acompanhamento do Ministério Público.
Reflexos e preocupação nacional
O episódio reacende o debate sobre segurança pública e políticas de enfrentamento ao crime organizado no Brasil. Especialistas alertam para o risco de que ações desse tipo, embora eficazes a curto prazo, intensifiquem a violência e prejudiquem moradores inocentes.
Em Piracicaba e em outras cidades do interior paulista, autoridades de segurança acompanham o caso como referência para o combate regional ao tráfico e à criminalidade organizada. A atenção nacional também cresce diante da possibilidade de repercussões políticas e ajustes nas estratégias de segurança estaduais.
O governo federal deve enviar equipes da Polícia Federal e da Força Nacional ao Rio para auxiliar nas investigações e garantir a integridade das apurações. O Ministério Público estadual informou que instaurou procedimento para averiguar as circunstâncias das mortes e o cumprimento dos protocolos operacionais.
A operação, apesar de considerada um marco pela quantidade de alvos atingidos, levanta questionamentos sobre proporcionalidade, controle institucional e impacto social nas comunidades afetadas.





