O Brasil atingiu pela primeira vez o patamar de “muito alto” no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). O país alcançou índice de 0,805 em 2024, a maior marca já registrada desde a criação do indicador, em 1990.
O IDH é utilizado internacionalmente para medir qualidade de vida e desenvolvimento social, levando em consideração fatores como:
- expectativa de vida;
- educação;
- e renda da população.
Educação foi principal fator de crescimento
De acordo com o estudo, a educação foi o principal motor do avanço brasileiro ao longo da série histórica analisada entre 2012 e 2024.
O relatório associa parte do crescimento a políticas públicas voltadas à inclusão social e permanência escolar, como o Bolsa Família, apontado como ferramenta importante para:
- ampliar a frequência escolar;
- reduzir o trabalho infantil;
- e melhorar indicadores sociais.
“Representa décadas de investimento público, de políticas que prolongaram vidas, abriram as portas das escolas e colocaram renda nas mãos das pessoas”, afirmou Claudio Providas, chefe do PNUD no Brasil.
Brasil ainda enfrenta desigualdades sociais e raciais
Apesar do avanço histórico, o relatório alerta que o país ainda convive com profundas desigualdades sociais, raciais e regionais.
Quando ajustado pelas desigualdades, o IDH brasileiro cai de 0,805 para 0,641, indicando que parte da população permanece distante da média nacional.
Segundo os dados:
- o IDH da população branca é de 0,851;
- enquanto o da população preta é de 0,774.
O estudo também mostra diferenças regionais expressivas:
- um homem branco no Rio Grande do Sul possui expectativa de vida média de 81 anos;
- já um homem negro no Amapá vive, em média, 73 anos.
Na renda, a disparidade também aparece:
- uma pessoa branca no Distrito Federal possui rendimento médio de R$ 1.987;
- enquanto uma pessoa negra no Maranhão recebe, em média, R$ 446.
Especialistas defendem desenvolvimento mais inclusivo
A economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, destacou que o avanço do país dependerá da redução das desigualdades históricas.
“O desenvolvimento brasileiro não vai melhorar se não for um desenvolvimento inclusivo. Inclusão significa trazer para o conjunto de políticas públicas a população negra e as mulheres”, afirmou.
Segundo ela, o país agora enfrenta um novo desafio:
- ampliar qualidade da educação;
- reduzir desigualdades;
- e preparar a população para transformações tecnológicas e econômicas.
Brasil entra em novo ciclo de desenvolvimento
Especialistas avaliam que o novo patamar coloca o Brasil em uma fase mais complexa de desenvolvimento humano, exigindo políticas públicas mais estruturadas e de longo prazo.
O relatório também destaca que o avanço do IDH depende não apenas dos governos, mas de escolhas coletivas da sociedade.
Em cidades do interior paulista, como Piracicaba, temas ligados à educação, inclusão social e qualificação profissional também fazem parte dos debates sobre desenvolvimento e qualidade de vida.





