O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome, cenário que acende um alerta para o agronegócio nacional. A forte dependência externa expõe o setor a riscos geopolíticos e às oscilações do câmbio, especialmente em momentos de crise internacional, que tendem a elevar os custos de produção.
Dependência e impacto no campo
A necessidade de importar grande parte dos insumos torna o país mais vulnerável a fatores externos, como guerras e instabilidade econômica global. Esse contexto impacta diretamente os custos no campo, reduzindo margens de lucro e pressionando produtores rurais.
Segundo especialistas, essa dependência está ligada ao chamado custo Brasil e à demora na implementação de políticas estruturais voltadas ao setor.
Desafios para produção nacional
O Plano Nacional de Fertilizantes, previsto inicialmente para 2010, só foi implementado em 2025. Mesmo após o lançamento, o país ainda enfrenta entraves para ampliar a produção interna.
Nos últimos anos, unidades industriais foram desativadas, como plantas em Cubatão, o que reduziu a capacidade produtiva e aumentou a dependência externa.
Atualmente, existem ao menos seis projetos em andamento, entre iniciativas públicas e privadas, com foco na redução dessa dependência. No entanto, especialistas apontam que os resultados devem ocorrer apenas no longo prazo.
Necessidade de investimento e políticas de Estado
Representantes do setor defendem que o desenvolvimento da indústria de fertilizantes exige planejamento contínuo e financiamento específico. A avaliação é de que o tema deve ser tratado como política de Estado, e não apenas de governo.
Além disso, questões ambientais e a necessidade de crédito direcionado também são apontadas como fatores essenciais para viabilizar novos projetos no país.
Custos em alta e pressão sobre produtores
O aumento dos custos já é sentido pelos produtores rurais. Além dos fertilizantes, itens como diesel, máquinas e equipamentos também registram alta, impactando diretamente a rentabilidade.
A taxa de juros elevada também influencia o cenário, dificultando o acesso ao crédito e afetando decisões de investimento no campo.
Relatos de produtores indicam que, em períodos de maior produção, o preço de venda nem sempre acompanha o aumento dos custos, o que pressiona ainda mais o setor.
Perspectivas para o setor
A expectativa é que a redução da dependência externa leve anos para se concretizar. Enquanto isso, o agronegócio brasileiro segue exposto às variações do mercado internacional.
Especialistas avaliam que avanços dependerão da continuidade de políticas públicas, ampliação de investimentos e melhoria do ambiente econômico para o desenvolvimento da indústria nacional de fertilizantes.





