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Endividamento das famílias cresce com inflação e juros altos, alertam agências de risco

Cenário preocupa no longo prazo e pode afetar crédito do país, apesar de não representar risco imediato à economia
Por: Redação
22 de abril de 2026 - 8:21 AM

O aumento do endividamento das famílias brasileiras tem sido impulsionado pela combinação de inflação elevada e juros altos, segundo avaliação de agências de classificação de risco como Moody’s e Fitch. O cenário, embora ainda não represente uma ameaça imediata à estabilidade econômica, acende um alerta para impactos futuros no crédito do país e no crescimento econômico.

De acordo com William Foster, vice-presidente sênior da Moody’s, a alta dos preços e o custo do crédito vêm reduzindo a capacidade de pagamento das famílias, especialmente entre aquelas que dependem de empréstimos sem garantia ou com taxas variáveis. Esse efeito ocorre mesmo em um contexto de mercado de trabalho considerado resiliente.

Dados do Banco Central reforçam esse movimento: o volume de crédito para pessoas físicas atingiu níveis recordes no fim de 2025, enquanto o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou ao maior patamar da série histórica no início deste ano.

Juros elevados agravam cenário
Especialistas apontam que o Brasil convive historicamente com taxas de juros mais altas do que a média internacional. Atualmente, a taxa básica Selic segue em patamar elevado, em torno de 14,75% ao ano, mesmo após recente corte.

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Para Renato Donatti, diretor da Fitch Ratings, esse ambiente dificulta a chamada desalavancagem, ou seja, a capacidade de reduzir dívidas. Segundo ele, quanto maior a inadimplência, maiores tendem a ser os juros cobrados, em um ciclo que retroalimenta o endividamento.

Além disso, características estruturais do sistema financeiro nacional também contribuem para esse cenário. Entre elas estão a alta presença de crédito com taxas flutuantes, dívidas atreladas à inflação e diferentes condições de acesso ao crédito, o que reduz a ეფექტividade das políticas monetárias.

Falta de educação financeira e crédito facilitado
Outro fator apontado por economistas é a baixa educação financeira da população. Para Rodolpho Sartori, da Austin Rating, muitos brasileiros não têm clareza sobre o custo real do crédito, especialmente em modalidades como cartão de crédito e empréstimos pessoais.

Ele também destaca que a ampliação de linhas de crédito facilitadas, como o consignado para trabalhadores do setor privado, pode aumentar o risco de endividamento excessivo.

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“Não é necessariamente ruim ampliar o crédito, mas sem orientação adequada, isso pode levar a uma bola de neve de dívidas”, avalia.

Medidas do governo são vistas como paliativas
O governo federal tem apostado em medidas como a liberação de recursos do FGTS para quitação de dívidas, dentro de uma nova fase do programa Desenrola. No entanto, analistas consideram essas ações como soluções de curto prazo.

Para as agências de risco, a principal saída estrutural passa pela redução consistente das taxas de juros. Já especialistas defendem também políticas de educação financeira e maior regulação sobre o crédito.

Outro ponto citado é a necessidade de avanço na agenda fiscal. Segundo analistas, o controle das contas públicas é fundamental para criar condições de queda sustentável dos juros no país.

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Impacto e próximos passos
Embora o nível atual de endividamento não represente risco imediato ao sistema financeiro, a continuidade dessa tendência pode pressionar o crescimento econômico e aumentar a vulnerabilidade do país no longo prazo.

Para cidades como Piracicaba, onde o comércio e o consumo das famílias têm papel relevante na economia local, o cenário também acende um alerta. O aumento do comprometimento da renda pode impactar diretamente o varejo e os serviços, afetando a dinâmica econômica regional.

A expectativa do mercado é que a trajetória dos juros e as decisões de política econômica nos próximos meses sejam determinantes para reverter esse quadro.

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