Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificou 31 novos aglomerados de estrelas na Via Láctea, ampliando o conhecimento sobre a estrutura da galáxia. A descoberta foi considerada relevante pela comunidade científica e publicada em revista internacional.
A pesquisa foi liderada pelo astrônomo e doutor em Física Filipe Ferreira, que utilizou dados da missão espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia. O projeto tem como objetivo mapear tridimensionalmente a galáxia com alta precisão.
Aglomerados jovens e de difícil detecção
Os aglomerados encontrados são do tipo aberto, caracterizados por baixa densidade e número reduzido de estrelas. Essas características tornam a identificação mais complexa, especialmente por métodos automatizados.
Para superar essa limitação, os pesquisadores adotaram uma abordagem manual, analisando gráficos com informações como brilho, posição e velocidade das estrelas. A estratégia permitiu identificar estruturas que passariam despercebidas por sistemas baseados apenas em inteligência artificial.
Segundo o pesquisador, os aglomerados têm dimensões entre 10 e 40 anos luz e são formados por estrelas que compartilham origem, idade e composição química, mantendo-se agrupadas por força gravitacional.
Uso de dados da missão Gaia
A descoberta só foi possível graças ao banco de dados gerado pela missão Gaia, iniciada em 2013. O projeto europeu reúne informações detalhadas sobre bilhões de estrelas, permitindo estudos mais precisos sobre a formação e evolução da Via Láctea.
A análise manual aplicada pela equipe brasileira revelou uma concentração significativa de aglomerados em uma área relativamente pequena, indicando potencial para novas descobertas.
Contribuição científica
Com os novos registros, o pesquisador já soma mais de 120 aglomerados identificados ao longo da carreira, alguns deles nomeados em referência à própria universidade.
O estudo reforça a importância da combinação entre tecnologia e análise humana na pesquisa científica, especialmente em áreas onde padrões sutis ainda desafiam os modelos automatizados.
A expectativa é que novas investigações aprofundem o mapeamento da galáxia e contribuam para entender melhor a origem e a dinâmica das estrelas.





