O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, assumiu o cargo com duas prioridades centrais: viabilizar a aprovação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e articular o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A posse ocorreu na última semana, em um momento de forte pressão política e com o Congresso já impactado pelo calendário eleitoral.
Deputado federal e ex líder do PT na Câmara, Guimarães substitui Gleisi Hoffmann, que deixou o posto para disputar o Senado. Ele se torna o terceiro nome à frente da articulação política no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
STF e resistência no Senado
Uma das principais tarefas do novo ministro será garantir votos suficientes no Senado para aprovar a indicação de Jorge Messias, atual advogado geral da União, ao STF. A votação está prevista para o fim de abril.
Apesar da resistência de setores da oposição, que classificam a indicação como política, a expectativa do governo é de aprovação. Nos bastidores, a estimativa gira entre 48 e 52 votos favoráveis, acima dos 41 necessários no plenário.
Guimarães afirmou que o cenário no Senado já apresenta melhora e indicou que há articulação em curso com a presidência da Casa para evitar surpresas na sabatina.
Escala 6×1 vira pauta eleitoral
Outro desafio é a tramitação da proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1, tema com forte apelo popular e prioridade para o Palácio do Planalto.
A discussão, no entanto, expõe divergências entre governo e Câmara. Enquanto o Executivo chegou a sinalizar o envio de um projeto de lei, a Câmara optou por conduzir o tema por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), com tramitação própria e previsão de votação nos próximos meses.
A equipe econômica defende cautela, sugerindo a inclusão de um período de transição para minimizar impactos em setores produtivos. O Ministério da Fazenda tem atuado como mediador entre as partes.
Contexto político e legado
As duas pautas devem marcar a gestão de Guimarães à frente da SRI, repetindo o peso político de seus antecessores. Alexandre Padilha, hoje ministro da Saúde, liderou a aprovação da reforma tributária. Já Gleisi Hoffmann consolidou a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
Com cerca de seis meses até as eleições, o novo ministro terá pouco tempo para entregar resultados e fortalecer a base aliada no Congresso.
O avanço ou não dessas pautas pode influenciar diretamente o mercado de trabalho local e o custo operacional de empresas da região.





