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Juros consomem maior fatia da renda das famílias em 20 anos no Brasil

Endividamento cresce e já compromete quase 30% do orçamento, com impacto direto da Selic elevada
Por: Redação
23 de março de 2026 - 8:25 AM

O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de juros atingiu o maior nível dos últimos 20 anos, segundo dados do Banco Central. Atualmente, quase 30% da renda está destinada ao pagamento de dívidas, sendo 10,4% apenas com juros.

O restante, cerca de 18,8%, é utilizado para amortizar o valor principal das dívidas. O cenário ocorre mesmo com indicadores econômicos positivos recentes, como desemprego em baixa e inflação dentro da meta, e acende um sinal de alerta para a sustentabilidade financeira das famílias.

Juros elevados pressionam orçamento
Especialistas apontam a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, como um dos principais fatores para o aumento do custo do crédito. Mesmo após recente redução, o patamar segue elevado em comparação histórica.

Segundo a professora de macroeconomia do Insper, Juliana Inhasz, o impacto é direto no dia a dia. “O custo maior do crédito faz com que muitas famílias fiquem mais endividadas e, em alguns casos, entrem em inadimplência”, avalia.

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Inadimplência cresce no país
Os efeitos já aparecem nos indicadores. A taxa de inadimplência dos consumidores chegou a 6,9% em janeiro, acima dos 5,6% registrados no mesmo período do ano anterior.

Entre as modalidades de crédito, o cartão de crédito rotativo concentra o maior índice de atraso, com inadimplência de 63,5%. Em seguida aparecem o cheque especial (16,5%) e o cartão parcelado (13%).

Endividamento recorde
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que 80,2% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, o maior percentual desde o início da série histórica, em 2010.

O cenário reflete o encarecimento do crédito e a dificuldade de equilíbrio financeiro, especialmente para quem depende de financiamento ou empréstimos para consumo e planejamento de longo prazo.

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A combinação de juros elevados e alto nível de endividamento reforça a preocupação de economistas com os próximos meses, especialmente em relação ao risco de aumento da inadimplência e desaceleração do consumo.

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