A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Xcopri (cenobamato) para o tratamento de epilepsia em adultos que não obtiveram controle das crises mesmo após o uso de pelo menos dois tratamentos diferentes. A decisão foi publicada na segunda feira (9).
Segundo a agência reguladora, o medicamento atua reduzindo a atividade elétrica anormal no cérebro, responsável pelas crises epilépticas. O remédio será comercializado pela empresa Momenta Farmacêutica Ltda.
Estudos clínicos analisados pela Anvisa apontam resultados positivos na redução das crises. Entre pacientes que utilizaram 100 mg diários, cerca de 40% apresentaram redução de pelo menos 50% nas crises. Já entre aqueles que receberam 400 mg por dia, o índice de melhora chegou a 64%.
Apesar da aprovação do registro, o medicamento ainda não está disponível no mercado. A comercialização só poderá ocorrer após a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A eventual oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também dependerá de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e da decisão final do Ministério da Saúde.
A Anvisa alerta que o medicamento não deve ser utilizado por pessoas com síndrome do QT curto familiar, uma alteração genética rara associada a arritmias cardíacas.
O que é epilepsia
A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por alterações temporárias e reversíveis no funcionamento do cérebro. Durante uma crise, uma parte do cérebro passa a emitir sinais elétricos incorretos, que podem permanecer localizados ou se espalhar para outras regiões.
Quando a atividade anormal fica restrita a uma área, a crise é classificada como parcial. Já quando envolve os dois hemisférios cerebrais, é considerada generalizada.
A doença pode provocar impactos significativos na vida dos pacientes, como aumento do risco de acidentes, morte súbita e problemas de saúde mental, incluindo ansiedade e depressão. Também pode gerar dificuldades no trabalho e na convivência social.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico, acompanhamento e tratamento gratuito para pessoas com epilepsia, geralmente iniciando o cuidado na atenção primária.
Como agir durante uma crise de epilepsia
Especialistas recomendam algumas medidas simples para ajudar uma pessoa durante uma crise convulsiva:
manter a calma e tranquilizar quem estiver por perto
evitar que a pessoa caia ou se machuque
colocá la deitada em local seguro, protegendo a cabeça
retirar objetos próximos que possam causar ferimentos
virar a cabeça para o lado para evitar sufocamento
afrouxar roupas apertadas, se necessário
permanecer ao lado da pessoa até que ela recupere a consciência
Também é importante não segurar os movimentos da pessoa, não colocar objetos em sua boca e não jogar água durante a crise. Caso a convulsão dure mais de cinco minutos, é recomendado procurar atendimento médico imediatamente.





