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EUA já ampliaram território por compras internacionais ao longo da história

Expansão por acordos financeiros marcou séculos 19 e 20 e volta ao debate após interesse de Trump pela Groenlândia
Por: Redação
27 de janeiro de 2026 - 8:37 AM

A recente manifestação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o interesse em incorporar a Groenlândia reacendeu um capítulo recorrente da história americana: a ampliação territorial por meio da compra de áreas pertencentes a outros países. Embora hoje a ideia encontre forte resistência internacional, esse tipo de operação já foi decisivo para a formação do território americano.

Desde poucos anos após a independência, proclamada em 1776, os Estados Unidos adotaram diferentes estratégias de expansão, como guerras, tratados diplomáticos e acordos financeiros. A compra de territórios soberanos foi um desses mecanismos e ajudou a transformar o país na potência continental atual.

Historiadores apontam que esse pensamento expansionista se conecta a doutrinas do século 19, como a Doutrina Monroe, que justificava a ampliação da influência americana no hemisfério ocidental sob o argumento de conter a presença europeia. Em vários momentos, Washington alegou necessidade estratégica para evitar que áreas consideradas sensíveis caíssem sob controle de outras potências.

Louisiana abriu caminho para o oeste
A primeira grande compra territorial ocorreu em 1803, quando os Estados Unidos adquiriram da França napoleônica a Louisiana. O então presidente Thomas Jefferson viu na negociação uma oportunidade de garantir o controle do rio Mississippi e do porto de Nova Orleans, fundamentais para o comércio.

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A França, por sua vez, enfrentava dificuldades para manter seus domínios ultramarinos e aceitou vender o território por 15 milhões de dólares. A incorporação praticamente dobrou o tamanho dos Estados Unidos e abriu caminho para a expansão em direção ao oeste.

Territórios tomados do México
Na década de 1840, o ideal do chamado destino manifesto levou os Estados Unidos a avançar sobre áreas controladas pelo México. Após a guerra entre os dois países, encerrada em 1848, Washington passou a controlar regiões que hoje correspondem a estados como Califórnia, Texas, Novo México, Arizona, Nevada e Utah.

Embora tenha havido pagamento de 15 milhões de dólares, historiadores classificam o acordo como uma cessão forçada, resultado direto da derrota militar mexicana. O país perdeu mais da metade de seu território original, deixando um trauma histórico que persiste até hoje.

Venda de La Mesilla
Em 1853, um novo acordo ampliou a fronteira americana. O México vendeu uma faixa de terra ao sul do Arizona e do Novo México por 10 milhões de dólares. O interesse dos Estados Unidos estava ligado à construção de uma ferrovia transcontinental pelo sul do país, enquanto o governo mexicano enfrentava grave crise financeira.

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Alasca foi alvo de críticas
Em 1867, os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia por 7,2 milhões de dólares. À época, a negociação foi alvo de críticas e ironias na imprensa, que chamou a operação de desperdício de dinheiro público.

Com o passar das décadas, a descoberta de ouro, petróleo e a importância estratégica da região durante a Guerra Fria mudaram a percepção sobre o negócio, hoje considerado um dos mais vantajosos da história americana.

Ilhas Virgens marcaram a última compra
A última aquisição territorial por compra ocorreu em 1917, quando os Estados Unidos compraram da Dinamarca as então Índias Ocidentais Dinamarquesas, hoje Ilhas Virgens Americanas, por 25 milhões de dólares.

O interesse estava ligado à posição estratégica do arquipélago no Caribe, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial, quando havia receio de avanço alemão na região. Diferentemente do caso atual da Groenlândia, a Dinamarca concordou com a venda na época.

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Debate atual encontra resistência
Ao contrário de negociações passadas, o interesse americano pela Groenlândia enfrenta rejeição tanto do governo dinamarquês quanto da população local. Pesquisas indicam que os groenlandeses não desejam que seu território volte a ser tratado como objeto de negociação internacional.

O episódio mostra que, embora a expansão territorial por compra faça parte da história dos Estados Unidos, o contexto político, jurídico e social do século 21 impõe limites muito mais rígidos a esse tipo de iniciativa.

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