Os Estados Unidos apreenderam nesta quarta feira (7) um navio petroleiro com bandeira russa que havia partido da Venezuela, em uma operação que elevou a tensão diplomática com Moscou. Segundo autoridades norte americanas ouvidas por agências internacionais, esta foi a primeira apreensão de um navio russo pelos militares dos EUA na história recente.
A embarcação, que anteriormente operava com o nome Bella 1 e passou a se chamar Marinera, vinha sendo monitorada há mais de duas semanas no Atlântico. O navio chegou a ser escoltado por um submarino russo e outras embarcações militares, mas não houve registro de confronto direto durante a operação.
Bloqueio ao petróleo venezuelano
De acordo com o Comando Europeu das Forças Armadas dos Estados Unidos, o navio foi apreendido por violar sanções impostas por Washington contra a exportação de petróleo da Venezuela. A ação integra o bloqueio norte americano a navios considerados irregulares ou sancionados, em vigor desde meados de dezembro.
“O bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito continua em pleno efeito, em qualquer lugar do mundo”, afirmou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em publicação nas redes sociais.
A operação foi conduzida pela Guarda Costeira e pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, nas proximidades da Islândia. Autoridades confirmaram que embarcações russas estavam na região, incluindo um submarino, mas destacaram que não houve incidentes militares.
Mudança de bandeira e tentativa de evasão
A Guarda Costeira dos EUA tentou interceptar o petroleiro pela primeira vez no mês passado, mas a embarcação se recusou a ser abordada. Após essa tentativa, o navio passou a operar sob bandeira russa e mudou de nome, estratégia comum adotada por embarcações ligadas à chamada “frota sombra”, usada para driblar sanções internacionais.
Não foi informado oficialmente para onde o navio apreendido será levado, mas fontes indicaram que ele pode seguir para águas territoriais britânicas. O Ministério da Defesa do Reino Unido não comentou o caso.
Contexto geopolítico
A apreensão ocorre poucos dias após uma operação dos Estados Unidos em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, levado ao território norte americano para responder a acusações de suposto tráfico de drogas. O governo da Venezuela classificou a ação como sequestro e acusou os EUA de tentar se apropriar das maiores reservas de petróleo do mundo, concentradas no país.
Washington, por sua vez, sustenta que a Venezuela se beneficiou de forma irregular do petróleo após a nacionalização do setor energético e mantém sanções desde 2019.
Outros navios sob sanção
Além do Marinera, autoridades norte americanas confirmaram a interceptação de outro navio tanque ligado à Venezuela em águas latino americanas. Trata se do superpetroleiro M Sophia, de bandeira panamenha, que estaria transportando petróleo venezuelano para a China com o transponder desligado, prática conhecida como “modo escuro”.
Segundo analistas do setor marítimo, embarcações da frota sombra seguem expostas a medidas punitivas, à medida que os Estados Unidos intensificam o controle sobre rotas e exportações de petróleo venezuelano.





