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Piracicaba faz parte de área que pode virar parque da Unesco

Projeto Geoparque Corumbataí reúne municípios da região e pode gerar impactos diretos na educação e turismo
Por: Redação
23 de dezembro de 2025 - 9:19 AM

Uma extensa região ecológica e geológica que inclui áreas de Piracicaba está em processo de estruturação para se tornar um parque reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Trata-se do projeto Geoparque Corumbataí, iniciativa que reúne pesquisadores, poder público e representantes da sociedade civil com o objetivo de valorizar, proteger e divulgar um território marcado por formações naturais e registros científicos de relevância internacional.

Além de Piracicaba, o território do projeto abrange áreas de outros municípios da região inseridos na Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí. A proposta não prevê a criação de um parque fechado ou de uma unidade de conservação tradicional, mas o reconhecimento de um conjunto integrado de áreas que compartilham características geológicas, ambientais, culturais e históricas, conectadas entre si por uma identidade territorial comum.

Para Piracicaba, a iniciativa tem peso estratégico. O município abriga pontos de interesse geológico que ajudam a explicar transformações ocorridas na Terra ao longo de milhões de anos, incluindo formações rochosas sedimentares com registros fósseis de um período em que a região esteve associada a ambientes costeiros. Esses elementos colocam a cidade como uma das peças centrais do projeto e reforçam sua contribuição científica para o reconhecimento internacional do território.

O selo de Geoparque Global da Unesco é concedido a territórios que apresentam patrimônio geológico de valor mundial, associado a estratégias de educação, conservação e desenvolvimento sustentável. A certificação não implica novas restrições legais de uso do solo, mas exige planejamento, gestão integrada e forte engajamento das comunidades locais e das administrações municipais envolvidas.

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No caso do Geoparque Corumbataí, o projeto ainda se encontra em fase de estruturação técnica. Estão em elaboração documentos exigidos pela Unesco, como planos de gestão, de geoturismo e de proteção do patrimônio geológico. Essas etapas são consideradas fundamentais para garantir que o território esteja preparado para receber o reconhecimento internacional e, principalmente, para transformar o patrimônio natural em oportunidades educativas, culturais e econômicas.

A expectativa em Piracicaba é de que o avanço do projeto amplie a visibilidade da cidade no cenário científico e turístico. A proposta é que a população local passe a reconhecer e valorizar elementos do próprio território, com ações de sinalização, materiais explicativos e integração de roteiros turísticos. Ao mesmo tempo, setores como comércio, serviços, hospedagem e alimentação tendem a ser impactados positivamente pelo aumento do fluxo de visitantes interessados em conhecer a história geológica da região.

Um dos diferenciais científicos associados ao território do Geoparque Corumbataí é a presença de fósseis com relevância internacional, como os registros do Mesossaurus, espécie que viveu há centenas de milhões de anos. A ocorrência desse fóssil tanto no interior paulista quanto no continente africano é considerada uma evidência importante para os estudos sobre a antiga ligação entre os continentes, quando formavam um único bloco continental. Esse tipo de patrimônio atende a um dos critérios centrais exigidos pela Unesco para a concessão do selo global.

Caso o cronograma técnico seja cumprido, o dossiê do Geoparque Corumbataí deverá ser submetido à avaliação internacional nos próximos anos. O processo envolve análise documental e, posteriormente, visitas técnicas ao território. Durante esse período, o local passa a ser reconhecido como geoparque aspirante, até a eventual decisão final.

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