O governo da Venezuela formalizou nesta terça-feira (16) uma denúncia contra os Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), acusando o país de praticar “pirataria” após a apreensão de um navio petroleiro próximo à costa venezuelana. A informação foi divulgada pela chancelaria do país e marca mais um capítulo da escalada de tensões entre Caracas e Washington.
Em carta enviada ao presidente do Conselho de Segurança da ONU, Samuel Žbogar, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Iván Gil Pinto, condenou a ação norte-americana e solicitou a libertação imediata e incondicional da tripulação da embarcação, além da devolução do petróleo apreendido. Segundo o governo venezuelano, a carga foi confiscada de forma ilegal em alto-mar.
A apreensão ocorreu no dia 10 de dezembro. De acordo com autoridades dos Estados Unidos, o navio estaria transportando petróleo venezuelano com destino ao Irã e seria alvo de sanções internacionais por supostas ligações com uma rede de financiamento de organizações consideradas terroristas por Washington. Até o momento, no entanto, provas públicas dessas acusações não foram apresentadas.
O episódio se insere em um contexto de aumento da presença militar norte-americana na América Latina e no Caribe. Desde agosto, os Estados Unidos intensificaram operações na região, alegando combater o tráfico internacional de drogas. Segundo o Pentágono, ao menos 26 embarcações já foram interceptadas ou atacadas em águas do Caribe e do Oceano Pacífico sob essa justificativa.
A crise também envolve diretamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que é acusado pelos Estados Unidos de liderar o chamado cartel de Los Soles, classificado recentemente pela administração norte-americana como organização terrorista. Caracas rejeita as acusações e afirma que as medidas adotadas por Washington violam o direito internacional e a soberania do país.
Ao recorrer à ONU, a Venezuela busca apoio internacional e tenta pressionar os Estados Unidos a recuarem da operação, ao mesmo tempo em que denuncia o que considera uma ampliação indevida do uso de sanções e ações militares sob o argumento do combate ao terrorismo.





