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EUA estudam exigir histórico de redes sociais de turistas para entrada no país

Proposta do governo Trump pode afetar visitantes de dezenas de países isentos de visto e está em consulta pública por 60 dias
Por: Redação
12 de dezembro de 2025 - 3:15 PM

O governo dos Estados Unidos avalia uma nova exigência para a entrada de turistas no país: a apresentação do histórico de redes sociais dos últimos cinco anos. A medida faz parte de uma proposta apresentada por autoridades americanas e pode atingir viajantes de dezenas de países, como Reino Unido, Japão e França, que atualmente entram nos EUA sem visto de turismo.

A mudança afetaria cidadãos de nações que integram o Programa de Isenção de Vistos, que permite estadias de até 90 dias mediante o preenchimento do Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA). Hoje, o formulário exige informações básicas e o pagamento de uma taxa única de US$ 40, com validade de dois anos para múltiplas entradas.

Endurecimento das fronteiras
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, o presidente Donald Trump tem adotado medidas para reforçar o controle das fronteiras, alegando motivos de segurança nacional. Segundo analistas, a nova proposta amplia a triagem de visitantes e pode representar mais um obstáculo para o turismo internacional, além de levantar preocupações sobre direitos digitais e privacidade.

O plano foi apresentado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) em conjunto com o Departamento de Segurança Interna (DHS). De acordo com a imprensa americana, o documento já foi publicado no Registro Federal, o diário oficial do governo dos EUA. Procurado, o DHS ainda não comentou oficialmente o assunto.

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O que a proposta prevê
O texto afirma que os solicitantes do ESTA poderão ser obrigados a informar quais redes sociais utilizaram nos últimos cinco anos, sem detalhar quais dados específicos seriam analisados. Além disso, o documento propõe a coleta de:

  • Números de telefone usados nos últimos cinco anos
  • Endereços de email utilizados nos últimos dez anos
  • Informações adicionais sobre familiares

A proposta faz referência a uma ordem executiva assinada por Trump em janeiro, intitulada Protegendo os Estados Unidos de terroristas estrangeiros e outras ameaças à segurança nacional e segurança pública.

Triagem já ocorre em outros vistos
O governo americano já anunciou anteriormente a análise de perfis em redes sociais para concessão de vistos de estudante e de trabalho qualificado, como o H1B. Segundo o Departamento de Estado, a chamada “presença online” dos solicitantes e de seus dependentes pode ser avaliada, e as contas devem estar com configurações públicas para permitir a verificação.

Em comunicados oficiais, o governo afirma que a triagem busca identificar pessoas que apoiem organizações terroristas ou estejam envolvidas em atos de violência ou assédio ilegal, incluindo práticas antissemitas.

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Impactos e críticas
A nova proposta está aberta a consulta pública por 60 dias e ainda não entrou em vigor. Organizações de defesa dos direitos digitais criticam a iniciativa. Para Sophia Cope, da Electronic Frontier Foundation, a medida pode ampliar danos às liberdades civis.

Especialistas em imigração alertam que a exigência pode resultar em demoras na aprovação do ESTA, afetando o fluxo de turistas. O debate ocorre em um momento sensível para o setor: os EUA esperam receber mais visitantes nos próximos anos, com a Copa do Mundo de 2026 e as Olimpíadas de 2028, mas dados recentes apontam queda nos gastos de turistas internacionais e redução no número de visitantes, especialmente do Canadá.

O que muda para brasileiros
O Brasil não integra o Programa de Isenção de Vistos, portanto turistas brasileiros continuam obrigados a solicitar visto para entrada nos Estados Unidos. Ainda assim, a proposta reforça uma tendência global de maior controle migratório, que também impacta viajantes de cidades como Piracicaba, onde cresce o número de pessoas que viajam ao exterior a turismo, estudo ou trabalho.

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