A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (4/12) a Operação Falso Mercúrio, que desarticulou uma vasta estrutura financeira utilizada para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, conduzida pela 3ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG) do Deic, mobilizou cerca de 100 policiais civis e representou um dos maiores bloqueios patrimoniais já realizados pela unidade.
De acordo com as investigações, o grupo montou um verdadeiro “banco paralelo” para movimentar recursos provenientes de atividades criminosas como tráfico de drogas, estelionato e exploração de jogos de azar. A estrutura permitia a entrada e saída de grandes quantias com aparência de legalidade, mascarando a origem ilícita dos valores.
Esquema altamente profissionalizado
A rede criminosa operava de forma segmentada em três núcleos:
- Coletores: responsáveis por reunir o dinheiro proveniente dos crimes;
- Intermediários: encarregados de circular e ocultar os valores;
- Beneficiários finais: que recebiam o montante “lavado”.
Empresas de fachada, movimentações bancárias pulverizadas e operações imobiliárias eram usadas para dificultar o rastreamento. A estratégia permitia ao PCC operar à distância, reduzindo riscos e ampliando o fluxo financeiro obtido com suas atividades ilegais.
Balanço da Operação Falso Mercúrio
A ofensiva resultou em números expressivos:
Medidas cumpridas
- 6 mandados de prisão
- 48 mandados de busca e apreensão
Bloqueios patrimoniais
- 49 imóveis sequestrados
- 3 embarcações apreendidas
- 257 veículos com restrição judicial
Bloqueio financeiro
- 57 contas bancárias congeladas
- 20 pessoas físicas atingidas
- 37 empresas envolvidas
Embora os valores totais ainda não tenham sido divulgados, o volume de bens retidos sugere movimentação milionária.
Conexão direta com o PCC
A investigação revelou evidências sólidas de que a estrutura operava diretamente para o PCC, oferecendo serviços especializados de lavagem de dinheiro em larga escala. O sistema beneficiava desde operadores de nível intermediário até integrantes de maior influência dentro da facção.
As autoridades afirmam que a desarticulação desse “setor financeiro” representa um duro golpe na capacidade do grupo criminoso de transformar dinheiro ilegal em capital limpo etapa crucial para manutenção de suas atividades.





