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Esalq aponta que vale-alimentação de servidores de Piracicaba não cobre custo da cesta básica

Estudos mostram que o valor de 270 reais definido pela prefeitura para 2026 é inferior ao custo estimado dos itens da cesta básica atualmente fornecida aos servidores.
Por: Redação
24 de novembro de 2025 - 7:38 AM

Um estudo do Grupo Painel Econômico da Esalq USP, solicitado pelo g1, mostrou que o novo valor de vale-alimentação a ser pago pela Prefeitura de Piracicaba aos servidores municipais em 2026 não cobre o custo dos produtos da cesta básica que vinha sendo distribuída. O benefício foi fixado em 270 reais mensais pela gestão do prefeito Helinho Zanatta.

O levantamento indicou que o custo dos mesmos itens, marcas e quantidades da cesta entregue aos servidores variou entre 322 reais e 379 reais em agosto de 2025. Ambas as estimativas superam o valor definido para o novo programa.

Custos acima de 300 reais

O estudo da Esalq analisou preços em supermercados e atacarejos da cidade. Em casos de ausência das marcas exatas informadas pela prefeitura, foram utilizados preços médios de produtos equivalentes.

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Com a substituição da cesta física pelo valor em dinheiro, Piracicaba passou a registrar o menor vale-alimentação entre as 18 cidades monitoradas na região. Rio das Pedras aparece no topo com 1.350 reais, seguida de Mombuca com 1.150 reais e Nova Odessa com 1.070 reais.

O que compunha a cesta básica municipal

A prefeitura informou a lista de 26 itens referentes à cesta entregue em agosto de 2025, que serviu como base para a pesquisa. Entre os produtos, constavam arroz, feijão, açúcar, café, macarrão, leite em pó, biscoitos, óleo, extrato de tomate, além de itens de limpeza e higiene pessoal como detergente, papel higiênico, sabão em pó, sabonete e creme dental.

Os pesquisadores consideraram a cesta bem estruturada, embora tenha sido observada a presença de alguns alimentos menos habituais para determinadas famílias, como produtos enlatados.

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Avaliação dos servidores

Uma servidora ouvida afirmou que o valor de 270 reais é insuficiente para repor a mesma quantidade de alimentos e materiais, devido à variação de preços entre mercados, à diferença de marcas disponíveis e ao tempo necessário para realizar as compras.

Ela também destacou a perda de previsibilidade. Segundo relatou, a cesta física garantia estabilidade e planejamento, especialmente em períodos de alta de produtos essenciais. A servidora afirmou que um valor justo para substituir o benefício deveria ser de, no mínimo, 600 reais.

Metodologia da pesquisa

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A estimativa foi feita com base na metodologia Procon Dieese. Os pesquisadores coletaram preços em dez estabelecimentos varejistas e atacadistas de Piracicaba, considerando as três marcas mais comuns para cada item. Quando a marca indicada pela prefeitura não estava disponível, foi utilizada a opção de menor preço.

O grupo também aplicou o Índice de Cesta Básica de Piracicaba, que monitora mensalmente os preços de 17 itens essenciais. A primeira análise, com base nas marcas indicadas, chegou a 322 reais e 71 centavos. A segunda, que combinou preços médios do ICB com valores pesquisados em agosto de 2025 para itens não monitorados, resultou em 379 reais e 97 centavos.

Posição da prefeitura

Questionada a administração municipal sobre a possibilidade de reajuste do vale-alimentação ou sobre a realização de estudos prévios que embasassem a definição do valor de 270 reais. Não houve retorno até a publicação.

A prefeitura havia informado anteriormente que uma comissão formada por representantes da administração pública e do Sindicato dos Trabalhadores Municipais discutiu o tema e definiu o valor conforme as condições orçamentárias disponíveis.

O projeto de lei também substituiu o Programa Café da Manhã, que fornecia café nos espaços de trabalho, por um vale de 40 reais mensais.

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