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Surto de doença diarreica aguda atinge cidade do interior de SP; análise aponta água contaminada

Américo Brasiliense registra mais de 2 mil casos e uma morte; laudos estaduais identificam falhas de cloração e presença de coliformes e E. coli na água distribuída.
Por: Redação
17 de novembro de 2025 - 10:24 AM

Américo Brasiliense, cidade do interior de São Paulo com cerca de 33 mil habitantes, enfrenta um surto de doença diarreica aguda, segundo comunicado do Centro de Vigilância Epidemiológica e do Centro de Vigilância Sanitária do Estado. De acordo com os órgãos, o município contabiliza 2.111 casos e uma morte neste ano. Análises de amostras coletadas em outubro revelaram falhas de cloração, presença de coliformes totais e até contaminação por Escherichia coli, apontando risco sanitário no abastecimento de água. Em caráter emergencial, foram distribuídos 6 mil frascos de hipoclorito de sódio a 2,5% para purificação doméstica.

A Prefeitura de Américo Brasiliense foi autuada para reforçar ações de prevenção e comunicação à população. Os Sistemas de Abastecimento de Água foram inspecionados e o Departamento de Água, Esgoto e Meio Ambiente (Daema) recebeu autos de infração para correção imediata. Na sexta feira (14), antes da divulgação oficial do documento estadual, a prefeita Terezinha Viveiros afirmou à EPTV que a causa do surto ainda estava sob investigação e que o município tomava “todas as medidas necessárias para um bom atendimento da população”. No mesmo dia, o superintendente do Daema, Cleverson Marins, declarou que amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz eram “satisfatórias” e que um laboratório terceirizado também havia apontado água “dentro dos padrões de potabilidade”.

No sábado (15), a Vigilância Sanitária estadual informou que intensificou ações corretivas após um laudo insatisfatório no monitoramento de outubro. Na segunda feira (10) foram coletadas 18 amostras da rede, cujos laudos, divulgados na quinta feira (13), apontaram níveis adequados de cloro residual livre e ausência de E. coli. Para identificar a origem do surto, novas amostras específicas para vírus, bactérias e protozoários foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, com resultados pendentes.

A investigação aponta que, em outubro, amostragens municipais do Programa de Vigilância da Qualidade da Água detectaram deficiências de cloração e presença de coliformes totais. Uma amostra coletada em 21 de outubro indicou contaminação por E. coli. Entre os dias 10 e 12 de novembro, equipes estaduais realizaram inspeções técnicas e reuniões emergenciais com a prefeitura e o Daema, reforçando a correlação entre o surto e falhas no abastecimento. O relatório destacou fragilidades nos sistemas de água, aumento expressivo e rápido de casos e a positividade de 100% nas amostras clínicas analisadas, que identificaram norovírus, rotavírus e coinfecções.

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A prefeitura afirmou na sexta feira (14) que o município registrou 1.224 casos de gastroenterite em 14 dias de novembro. Em outubro foram 1.780 notificações, número 292% maior que os 453 casos de setembro. Moradores relataram sintomas como diarreia, vômitos e dores abdominais e já desconfiavam da água. A cuidadora de idosos Juliana Lopes disse que sempre consumiu água da torneira, mas decidiu comprar um purificador. “Foi muito terrível, assustador até. Fui para o hospital, e como já tenho problemas no fígado, fiquei ainda mais preocupada. É demorada a recuperação e os sintomas são muito fortes”, afirmou. A cuidadora Márcia Miranda relatou reincidência na família: “Minha filha teve duas vezes. Eu também estou com essa virose. É horrível, muitos dias assim. E o hospital vive lotado e ninguém toma providência”. A aposentada Marta Aparecida dos Reis contou que vive sucessivas crises: “Melhoro um dia, fico três ou quatro bem e volta de novo. Só gasto com farmácia e nada melhora”.

Em notas emitidas nos dias 24 de outubro e 13 de novembro, a prefeitura afirmou que não havia relação entre os sintomas e a água distribuída, citando laudos do Instituto Adolfo Lutz e de um laboratório terceirizado. À EPTV, a prefeita reiterou: “Além de investigar a causa, nós estamos tomando todas as medidas necessárias para um bom atendimento. Então a população com certeza está sendo protegida nesse sentido”. O superintendente do Daema explicou que a captação é feita por poços e disse: “Nós temos análise toda segunda e quinta feira com uma empresa contratada. O Instituto Adolfo Lutz fez a coleta de nove amostras e todas deram como satisfatórias”. Ele confirmou que houve falha de cloração, já corrigida, e orientou o uso de hipoclorito na higienização de alimentos.

Moradores também relataram mau cheiro no ar da cidade. A prefeita afirmou que a Cetesb investiga a origem do odor. A empresa São Martinho, responsável pela Usina Santa Cruz, informou ter recebido dois autos de advertência por emissão de odores, mas afirma que não há risco à saúde. “Desde a identificação do problema, várias medidas foram adotadas. Não há risco à saúde da população”, diz a nota.

A Vigilância Sanitária reforçou orientações de higiene, incluindo lavar as mãos com frequência, higienizar alimentos com solução sanitizante, evitar consumo de água de origem duvidosa, ferver a água quando necessário e manter caixas d’água limpas e tampadas.

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