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Disputa entre PCC e Comando Vermelho transforma Rio Claro em foco de violência no interior paulista

Localização estratégica e ausência de domínio fixo no tráfico colocam o município no centro de uma guerra entre facções. Em 2025, assassinatos cresceram 26%, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
Por: Redação
11 de novembro de 2025 - 12:44 PM

Com cerca de 200 mil habitantes, o município de Rio Claro tornou-se palco de uma disputa entre as principais facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A localização estratégica, cortada por rodovias como Anhanguera, Bandeirantes e Washington Luís, e a falta de hegemonia no tráfico de drogas criaram um cenário propício para o avanço do crime organizado.

De janeiro a setembro de 2025, a cidade registrou 24 homicídios dolosos aumento de 26,3% em relação a 2024, o que representa uma taxa de 11,9 assassinatos por 100 mil habitantes, quase três vezes superior à média estadual. Parte dos crimes, segundo investigações do Ministério Público e da Polícia Civil, está diretamente relacionada à disputa territorial entre as facções.

Diferentemente de outras cidades do estado, o PCC não consolidou domínio absoluto em Rio Claro. Essa fragilidade abriu espaço para a atuação de grupos dissidentes e para o avanço do CV. Um deles, conhecido como “Bonde do Magrelo”, é formado por ex-integrantes do PCC que se associaram ao Comando Vermelho, intensificando os conflitos.

Relatórios de inteligência revelam que uma base logística do CV foi localizada em março deste ano em Hortolândia, cidade próxima, utilizada como ponto de apoio entre Rio Claro e o Rio de Janeiro. No local, a polícia apreendeu 96 quilos de drogas, armas e munições.

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As investigações apontam Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, o “Bode”, como principal liderança do CV na região, e Edvaldo Luís Lopes Júnior, o “Grão”, como seu braço direito. Ambos tiveram a morte decretada pelo PCC, o que intensificou os confrontos e levou “Bode” a fugir para o Rio de Janeiro.

Durante as ações policiais, Wilson Balbino da Cruz, conhecido como “Japonês” ou “JJ”, foi preso em flagrante. Ele é apontado como responsável pela logística do CV em São Paulo, incluindo armazenamento de drogas, armas e dinheiro usados para sustentar a guerra entre as facções.

A escalada da violência alterou a rotina dos moradores. Relatos colhidos pela imprensa apontam aumento da sensação de insegurança e mudanças de comportamento por medo de assaltos e execuções. “A gente evita sair à noite e fica com receio de andar em certos bairros”, relatou uma moradora que vive há mais de duas décadas na cidade.

O delegado seccional de Rio Claro, Paulo César Junqueira Hadich, afirma que cerca de metade dos homicídios ligados às disputas criminosas já foi esclarecida. “Nosso trabalho é técnico e minucioso. Mesmo com a dificuldade em obter testemunhos, seguimos avançando nas investigações”, declarou.

O Departamento de Polícia Judiciária do Interior 9 (Deinter-9) mantém uma força-tarefa com o apoio do Ministério Público e da Polícia Militar para conter o avanço do crime organizado. O diretor do Deinter-9, Kleber Altale, destacou que as ações estão sendo reforçadas para restabelecer a segurança no município.

Rio Claro integra uma região marcada por intenso tráfego rodoviário e economia industrial diversificada, o que, segundo especialistas, contribui para seu interesse estratégico no mapa do crime. O Ministério Público, por meio do Gaeco, acompanha as investigações, que tramitam sob sigilo judicial.

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