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Mudança nas regras do gás de cozinha levanta alerta de segurança

Por: Redação
11 de novembro de 2025 - 11:36 AM

Presente em 91% dos lares brasileiros, o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) o tradicional gás de cozinha é essencial para o preparo de alimentos e um dos pilares da matriz energética nacional. O modelo atual de distribuição, considerado um dos mais seguros do mundo, garante rastreabilidade por meio da marca gravada em alto-relevo nos botijões, permitindo a identificação da empresa responsável pela manutenção, requalificação e fiscalização.

No entanto, uma proposta em análise na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tem preocupado o setor. O estudo regulatório da agência propõe permitir que qualquer distribuidora possa envasar botijões de outras marcas, além de autorizar enchimentos fracionados em pequenas instalações urbanas mudanças que, segundo especialistas, aumentariam o risco de acidentes, fraudes e perda de controle sobre a qualidade do produto.

Segurança em risco

Atualmente, cada distribuidora é responsável pelos botijões de sua própria marca, o que facilita a fiscalização e responsabilização em caso de falhas ou explosões. Para o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, a proposta não considera os custos adicionais nem a capacidade de fiscalização.

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“A ideia de um sistema de rastreamento parece moderna, mas na prática seria cara e difícil de controlar. Abrir o envase para qualquer distribuidora traria insegurança e risco à população”, alerta Mello.

Consumidor não aprova a mudança

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em junho de 2025, confirma a resistência popular:

  • 97% dos brasileiros consideram a marca essencial para garantir a qualidade do gás;
  • 93% temem comprar botijões sem a identificação da marca;
  • 94% defendem a gravação em alto-relevo como prova de procedência;
  • 83% apoiam a manutenção do modelo atual.

“A população entende que o botijão é um item de segurança doméstica. Sem a marca, não há quem se responsabilize por vazamentos, adulterações ou enchimentos incorretos”, destacou Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Risco de retrocesso e impacto local

Para especialistas, permitir o enchimento fracionado sem a pesagem exata de 13 kg pode abrir margem para fraudes e submedição, além de aumentar acidentes. O Sindigás lembra que países como México e Paraguai, que adotaram práticas semelhantes, enfrentam altos índices de explosões e botijões fora do prazo de validade.

Em Piracicaba, onde o gás de cozinha é distribuído por revendas licenciadas e fiscalizadas, a mudança pode afetar diretamente a segurança dos consumidores e a confiabilidade das entregas. Segundo dados da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), o segmento de revendas emprega dezenas de trabalhadores e abastece milhares de residências e estabelecimentos comerciais todos os dias.

“A desregulamentação poderia criar um cenário de incerteza e prejudicar o pequeno revendedor, que hoje atua com rígidos padrões de segurança e rastreabilidade”, afirmou um representante do setor local ouvido pelo Via Piracicaba.

O que está em jogo

O debate ocorre em meio ao lançamento do Programa Gás do Povo, iniciativa federal que pretende garantir gás de cozinha a 15 milhões de famílias de baixa renda. Para o Sindigás, as mudanças propostas pela ANP podem fragilizar a execução do programa, comprometendo o controle e a segurança dos cilindros destinados ao benefício social.

“A marca gravada em cada botijão significa responsabilidade. Se isso for eliminado, quem garantirá a manutenção e a segurança do equipamento?”, questiona Mello.

Enquanto o governo federal avança no credenciamento de revendas e na definição de preços regionais, o setor aguarda a decisão da ANP. A discussão coloca em pauta três pontos centrais: acesso, segurança e sustentabilidade.

Em Piracicaba e região, onde cerca de 90 mil famílias utilizam gás de cozinha regularmente, o tema desperta preocupação tanto entre consumidores quanto entre empresas, que alertam para a necessidade de preservar o atual padrão de qualidade e segurança — o mesmo que garante a entrega segura de 13 botijões por segundo em todo o país.

 

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