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Pantanal e Amazônia registram maiores aumentos de temperatura do país nos últimos 40 anos, aponta MapBiomas

Levantamento nacional mostra que os dois biomas tiveram as maiores altas médias de temperatura desde 1985, com impactos sobre o regime de chuvas, áreas alagadas e ocorrência de incêndios. Pantanal perdeu mais de 70% de sua superfície inundada.
Por: Redação
6 de novembro de 2025 - 1:19 PM

O aumento da temperatura nos biomas do Pantanal e da Amazônia está entre os mais intensos do país nas últimas quatro décadas, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (5) pela rede MapBiomas. A análise, baseada em dados de satélite de 1985 a 2024, revela que o Pantanal é o bioma mais afetado pelo aquecimento, seguido pela Amazônia.

No caso do Pantanal, as temperaturas médias subiram de forma contínua, acompanhadas de uma drástica redução nas áreas alagadas — principal característica ecológica da região. O estudo aponta que o bioma perdeu cerca de 73% de sua superfície inundada desde 1985, resultado da combinação entre estiagens prolongadas, mudanças climáticas e avanço de atividades humanas, como o desmatamento e a pecuária extensiva.

Na Amazônia, o aumento da temperatura também vem sendo associado à intensificação de secas e queimadas, inclusive em áreas antes consideradas úmidas e estáveis. Pesquisadores alertam que a elevação térmica ameaça o equilíbrio climático global, já que a floresta desempenha papel central na regulação de chuvas e na absorção de carbono.

De acordo com o MapBiomas, o aquecimento observado nesses biomas supera a média nacional e reflete a aceleração das mudanças climáticas no território brasileiro. O levantamento reforça que a combinação entre desmatamento, queimadas e degradação do solo tem potencializado o impacto das variações térmicas, reduzindo a capacidade natural de resiliência dos ecossistemas.

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Para o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, “a tendência é preocupante porque evidencia que os biomas mais biodiversos e mais importantes para o equilíbrio do clima estão também entre os mais vulneráveis”. Ele ressalta que políticas de restauração e controle do desmatamento são urgentes para evitar o colapso ambiental.

O aquecimento de biomas como o Pantanal e a Amazônia também tem reflexos indiretos em outras regiões do país. A alteração no regime de chuvas e no transporte de umidade, o chamado “rio voador” amazônico, afeta a regularidade hídrica no Sudeste, impactando a agricultura, os reservatórios e o abastecimento urbano.

Com a COP30 em andamento em Belém (PA), o estudo do MapBiomas reforça o debate sobre a urgência de ações climáticas integradas, que conciliem desenvolvimento econômico, conservação ambiental e redução de emissões de gases de efeito estufa.

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