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Governo pagou quase R$ 1,5 trilhão em auxílios sociais desde a pandemia

Levantamento mostra que, entre 2020 e 2025, os gastos federais com programas de transferência de renda e benefícios sociais triplicaram; especialistas apontam impacto fiscal e falhas de controle
Por: Redação
4 de novembro de 2025 - 1:12 PM

O governo federal desembolsou R$ 1,438 trilhão em auxílios sociais desde o início da pandemia de Covid-19, segundo levantamento feito pela CNN Brasil com base em dados do Ministério do Desenvolvimento Social. O valor considera repasses feitos por programas como Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

De acordo com os dados oficiais, o Auxílio Emergencial custou R$ 372 bilhões, o Auxílio Brasil, R$ 126,7 bilhões, o Bolsa Família, R$ 468,9 bilhões, e o BPC, R$ 456,3 bilhões, totalizando R$ 1,438 trilhão.

O maior salto de gastos ocorreu entre 2019 e 2020, quando o valor total saltou de R$ 86,6 bilhões para R$ 365,5 bilhões, em razão da criação do Auxílio Emergencial durante a crise sanitária. Em 2021, as despesas recuaram para R$ 159,1 bilhões, mas voltaram a crescer em 2022, quando o governo federal substituiu o Bolsa Família pelo Auxílio Brasil e aumentou o benefício para R$ 600.

Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022, o valor foi mantido por meio da PEC da Transição, que viabilizou a recomposição orçamentária do Bolsa Família, retomado em 2023 com novo formato e ampliação do número de famílias beneficiadas.

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Para o economista Murilo Viana, especialista em contas públicas, o aumento expressivo das despesas sociais foi consequência direta da pandemia e da disputa eleitoral subsequente. “A estratégia emergencial durante o momento mais agudo da pandemia expandiu o volume de transferências. Depois, com o contexto político, os benefícios acabaram sendo preservados”, afirmou.

Economistas alertam que o crescimento dos programas sociais pressiona o orçamento federal e reduz a margem de investimento. Atualmente, cerca de 96% das despesas públicas são obrigatórias, o que limita a capacidade do governo de direcionar recursos a obras e projetos de longo prazo. “O país enfrenta uma crise fiscal que se arrasta há anos, com déficit primário e endividamento crescentes, o que afasta investimentos e reduz o potencial de crescimento”, avaliou Viana.

O economista Gabriel Leal de Barros, da ARX Investimentos, destacou que o desafio é equilibrar a responsabilidade social com a responsabilidade fiscal. Segundo ele, o combate às fraudes pode ser um caminho para reduzir gastos sem prejudicar os beneficiários. “Há muita fraude em benefícios sociais e previdenciários. Se o governo modernizar seus sistemas e digitalizar o controle, poderá economizar bilhões sem cortar direitos”, afirmou.

Nas estimativas de Barros, ao menos R$ 20 bilhões poderiam ser economizados por ano com o aprimoramento da gestão dos benefícios. O BPC, que garante um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, é apontado como o programa com maior incidência de irregularidades.

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Os dados oficiais mostram que os gastos com o BPC vêm crescendo de forma contínua: R$ 52,5 bilhões em 2018, R$ 70,9 bilhões em 2022, e R$ 102,2 bilhões em 2024. Em 2025, o valor caiu para R$ 87,3 bilhões, ainda acima do patamar pré-pandemia. Para Barros, parte desse aumento se deve à dificuldade do governo em revisar cadastros e fiscalizar critérios de elegibilidade.

Desde a pandemia, os programas sociais se consolidaram como o principal instrumento de transferência de renda no país, atingindo mais de 21 milhões de famílias. Embora sejam considerados essenciais para a redução da pobreza e da desigualdade, especialistas defendem que o governo precisa rever a sustentabilidade fiscal dessas políticas para garantir continuidade e equilíbrio nas contas públicas.

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