Piracicaba registrou 151 milímetros de chuva entre o início de setembro e a tarde do dia 11, volume que já coloca o mês como o setembro mais chuvoso dos últimos dez anos no município. Os dados são do posto meteorológico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq USP), divulgados pelo g1.
O acumulado registrado em apenas 11 dias corresponde a mais que o dobro da média histórica de aproximadamente 60 milímetros para todo o mês de setembro em Piracicaba.
O período de chuvas intensas ocorre em meio à atuação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que influencia os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.
El Niño favorece chuvas acima da média
Ao g1, o agrometeorologista Fabio Marin, da Esalq USP, afirmou que o El Niño já influencia as condições atmosféricas e relacionou o cenário observado em Piracicaba à atuação do fenômeno.
A relação, porém, deve ser entendida como uma influência climática e não como causa isolada de cada episódio de chuva. Fenômenos como o El Niño modificam a circulação atmosférica e podem aumentar a probabilidade de determinados padrões de precipitação.
Projeções de órgãos meteorológicos federais indicam alta probabilidade de o atual El Niño alcançar intensidade muito forte no trimestre formado por setembro, outubro e novembro de 2026.
Para o Sudeste, o cenário climático também favorece períodos com precipitações acima da média, embora as previsões sazonais indiquem tendências e não permitam afirmar que haverá excesso de chuva em todas as cidades ou durante toda a primavera.
Cenário lembra setembro de 2015
Segundo Marin, o comportamento observado neste ano encontra precedente em 2015, quando outro El Niño de forte intensidade também foi acompanhado por um setembro bastante chuvoso em Piracicaba.
O especialista avalia que o cenário atual aumenta a possibilidade de uma primavera com maior presença de chuva na região. A intensidade e a distribuição das precipitações, entretanto, podem variar ao longo dos próximos meses.
A sequência de temporais já provocou impactos em Piracicaba neste início de setembro, com registros de alagamentos, quedas de árvores, alterações no funcionamento de serviços e elevação do nível do Rio Piracicaba.
Chuva pode beneficiar agricultura, mas preocupa áreas urbanas
No campo, o aumento da disponibilidade de água pode favorecer pastagens, áreas já colhidas de cana de açúcar e a implantação de culturas de grãos na região.
Para a cana ainda em processo de colheita, entretanto, o excesso de umidade pode dificultar as operações e prolongar a safra. Segundo Marin, as condições também podem reduzir a concentração de açúcar nos canaviais, indicador conhecido pelo setor como ATR.
Nas cidades, o cenário exige atenção principalmente devido ao risco de alagamentos, enchentes, quedas de árvores e deslizamentos, especialmente quando o solo permanece encharcado após vários episódios consecutivos de chuva.
A diferença de impactos reforça a importância do acompanhamento das previsões meteorológicas e dos avisos emitidos pelos órgãos de monitoramento e Defesa Civil durante a primavera.
Dados de Piracicaba exigem acompanhamento
Os números de 151 milímetros e a classificação de setembro de 2026 como o mais chuvoso da última década têm como referência os dados do posto meteorológico da Esalq USP divulgados pelo g1.
Como setembro ainda está em andamento, o acumulado mensal continuará mudando conforme novos episódios de chuva forem registrados. A comparação definitiva do mês com anos anteriores poderá ser feita após o encerramento do período.





