Os carros movidos exclusivamente a etanol, comuns no Brasil antes da popularização dos modelos flex, podem voltar a ganhar espaço no mercado nacional. O movimento é impulsionado principalmente por incentivos tributários que tornam determinados veículos dedicados ao biocombustível mais competitivos. Para Piracicaba e região, fortemente ligadas à produção de cana de açúcar e ao desenvolvimento de tecnologias para o setor sucroenergético, a tendência merece atenção.
A General Motors já adotou a estratégia com o Chevrolet Onix Eco e o Onix Plus Eco, versões que funcionam somente com etanol. Volkswagen e Stellantis também avaliam veículos com essa configuração, embora ainda não tenham anunciado modelos específicos.
Incentivo fiscal favorece etanol
Um dos principais fatores por trás desse movimento é o programa Mover e o sistema conhecido como IPI Verde. Pelas regras apresentadas na matéria que serve de base para esta reportagem, características como fonte de energia, consumo, potência, segurança, reciclabilidade e impacto ambiental influenciam a tributação dos automóveis.
Veículos dedicados ao etanol podem obter vantagem nesse cálculo. Em determinadas condições, o enquadramento permite reduzir ou até zerar o IPI, tornando possível diminuir o preço final do automóvel.
A Chevrolet foi uma das primeiras fabricantes a explorar essa possibilidade. Segundo as informações divulgadas, o Onix Eco foi anunciado por R$ 103.190 e o Onix Plus Eco por R$ 106.990. Os dois utilizam motor 1.0 turbo, câmbio automático de seis marchas e são abastecidos exclusivamente com etanol.
Por que o assunto interessa a Piracicaba
A possível retomada dos carros exclusivamente a etanol tem relevância especial para Piracicaba por causa da relação histórica e econômica do município e da região com a cadeia sucroenergética.
Uma eventual expansão da frota dedicada ao biocombustível pode abrir novas discussões sobre demanda por etanol, investimentos, inovação tecnológica e participação da cana de açúcar na transição para uma matriz de transportes com menor dependência de combustíveis fósseis.
No entanto, ainda é cedo para afirmar qual será o impacto desse movimento sobre a produção regional. A expansão dependerá da adesão de outras montadoras, da aceitação dos consumidores e da competitividade do etanol diante da gasolina.
Carro a etanol mudou desde os anos 1980
A tecnologia também é diferente daquela encontrada nos antigos carros a álcool. Com os atuais sistemas de injeção eletrônica e gerenciamento do motor, não há a mesma necessidade dos mecanismos auxiliares de partida a frio que marcaram gerações anteriores.
Além da tributação, o etanol apresenta vantagens no cálculo das emissões considerado pelas novas políticas para o setor automotivo. A avaliação leva em conta não apenas o que sai do escapamento, mas aspectos relacionados à cadeia de produção e utilização do combustível.
Para o motorista, entretanto, abandonar o sistema flex significa perder a possibilidade de escolher entre gasolina e etanol no momento do abastecimento. Por isso, a relação entre o preço dos combustíveis continuará sendo importante para determinar a atratividade dos novos modelos.
Outras montadoras avaliam estratégia
Volkswagen e Stellantis, grupo responsável por marcas como Fiat, Peugeot e Citroën, estudam a possibilidade de utilizar a mesma estratégia, segundo as informações publicadas pelo R7. Até o momento, porém, não há confirmação de novos veículos exclusivamente a etanol dessas fabricantes.
A expectativa é que esse tipo de motorização possa aparecer inicialmente em versões específicas e em veículos destinados também a frotistas, locadoras, taxistas e empresas interessadas em reduzir emissões.
Para Piracicaba, acompanhar os próximos passos da indústria automobilística significa também observar uma possível nova etapa para um combustível profundamente ligado à economia regional. Caso mais fabricantes apostem nos modelos dedicados, o etanol poderá ganhar um novo espaço no mercado brasileiro de automóveis.





