Os países da União Europeia chegaram a um entendimento político para avançar com o acordo comercial firmado com o Mercosul, encerrando uma negociação que se arrasta desde 1999. A sinalização favorável foi confirmada nesta sexta-feira (9) por diplomatas europeus e representa um passo decisivo para a formalização do tratado.
Embora o aval ainda dependa da consolidação formal dos votos por escrito, o apoio majoritário entre os Estados-membros permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avance para a assinatura do acordo, prevista para ocorrer na próxima segunda-feira (12), durante agenda oficial no Paraguai.
O tratado prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas entre os blocos, além da harmonização de regras em áreas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Caso entre em vigor, o acordo poderá formar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo mercados da América do Sul e da Europa.
Impactos econômicos e posição do Brasil
Para o Brasil, principal economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado estimado em cerca de 450 milhões de consumidores. Os efeitos esperados não se restringem ao agronegócio, setor historicamente central nas negociações, mas também atingem segmentos da indústria e do comércio exterior.
A iniciativa é apoiada por setores empresariais europeus e sul-americanos, que veem no tratado uma oportunidade de diversificação comercial em um cenário global marcado por disputas geopolíticas e tensões protecionistas.
Resistência de países europeus
Mesmo com o avanço, o acordo enfrenta oposição interna dentro da União Europeia. França e Irlanda mantiveram posição contrária, alegando riscos ao setor agrícola local. Produtores rurais desses países demonstram preocupação com a concorrência de produtos latino-americanos, que teriam custos mais baixos e regras ambientais diferentes das exigidas na Europa.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que seu país votaria contra o tratado, argumentando que os ganhos econômicos seriam limitados para a França e para o bloco europeu como um todo. A Irlanda, assim como Hungria e Polônia, também expressou reservas formais ao texto negociado.
Papel decisivo da Itália
A mudança de postura da Itália foi considerada determinante para destravar a aprovação política do acordo. Nos últimos dias, o governo italiano sinalizou disposição em apoiar o tratado, desde que fossem atendidas demandas relacionadas à proteção do setor agrícola.
A Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de cerca de 45 bilhões de euros em recursos destinados aos agricultores, medida vista pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni como um avanço relevante. O ministro da Agricultura da Itália indicou que o bloco passou a discutir o reforço e não a redução dos investimentos no setor entre 2028 e 2034.
Com o aval político obtido, o acordo Mercosul-União Europeia entra agora na fase final de formalização e ratificação, que ainda deverá passar por etapas institucionais antes de entrar plenamente em vigor.





