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Terra registra nível recorde de calor acumulado em 2025, alerta ONU

Relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta avanço acelerado do aquecimento global e reforça urgência de ações contra a crise climática
Por Redação
23 de março de 2026 - 8:14 AM

A Terra atingiu em 2025 o maior nível de calor acumulado já registrado, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (23) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU. O documento alerta para impactos duradouros no sistema climático, com efeitos que podem persistir por centenas ou até milhares de anos.

O levantamento indica que o desequilíbrio energético do planeta — diferença entre a energia que entra e a que sai da Terra — alcançou um novo recorde. Esse indicador, incluído pela primeira vez como destaque no relatório, evidencia a rapidez do aquecimento global impulsionado pela ação humana, especialmente pela emissão de gases de efeito estufa como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso.

“O clima global está em situação de emergência. O planeta está sendo levado além de seus limites”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Oceanos concentram maior parte do calor
De acordo com a OMM, mais de 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global é absorvido pelos oceanos. Em 2025, o conteúdo de calor oceânico também atingiu o maior nível já registrado, com uma taxa de aquecimento que mais que dobrou nas últimas décadas.

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Esse processo contribui diretamente para o aumento do nível do mar, que já está cerca de 11 centímetros acima do registrado no início das medições por satélite, em 1993. Além disso, o derretimento acelerado de geleiras na Antártida e na Groenlândia reforça a tendência de elevação.

Década mais quente da história
O relatório confirma que o período entre 2015 e 2025 reúne os 11 anos mais quentes já registrados. O ano de 2025 aparece entre o segundo e o terceiro mais quente da série histórica, com temperatura média cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900).

Eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais, também se intensificaram, causando impactos sociais e econômicos em diversas regiões do mundo.

Cenário preocupa especialistas
Mesmo sob influência atual do fenômeno La Niña, que tende a reduzir temporariamente as temperaturas globais, especialistas apontam que o cenário pode se agravar nos próximos anos. A possibilidade de retorno do El Niño até o fim de 2026 pode elevar ainda mais os índices de calor.

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Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o cenário é claro: “A atividade humana está alterando o equilíbrio natural do planeta, e as consequências serão duradouras”.

O relatório reforça a urgência de medidas para reduzir emissões e ampliar sistemas de alerta climático, evitando consequências mais severas nas próximas décadas.