Em seu primeiro discurso anual sobre política internacional, o papa Leão XIV fez duras críticas ao que chamou de expansão da lógica da guerra nas relações entre países. Diante de representantes diplomáticos credenciados junto ao Vaticano, o pontífice condenou o uso da força militar como meio para alcançar objetivos políticos e afirmou que o mundo vive um momento de enfraquecimento das instituições multilaterais.
Ao falar para cerca de 184 embaixadores, Leão XIV afirmou que a diplomacia baseada no diálogo e no consenso tem perdido espaço para estratégias sustentadas pela imposição e pela violência. Segundo ele, essa mudança representa um risco crescente à estabilidade global.
Para o papa, a incapacidade das organizações internacionais de mediar conflitos e evitar guerras é motivo de preocupação especial. Em tom mais incisivo do que o adotado nos primeiros meses de seu pontificado, ele alertou que o ambiente internacional tem sido marcado por um “fervor bélico” que volta a ganhar legitimidade em diferentes regiões do planeta.
Venezuela e direitos humanos
Durante o discurso, Leão XIV também abordou a situação da Venezuela e pediu que a vontade da população seja respeitada após os recentes acontecimentos políticos no país. O papa defendeu que a comunidade internacional atue para garantir os direitos civis e humanos dos venezuelanos, sem interferências que desconsiderem a soberania popular.
Embora não tenha citado diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o pontífice fez referência ao episódio envolvendo a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, destacando a necessidade de soluções que priorizem a legalidade e a dignidade humana.
Tom mais firme do novo pontificado
Eleito após a morte do papa Francisco, Leão XIV, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, vinha adotando uma postura considerada mais reservada e diplomática. No entanto, o pronunciamento desta sexta-feira marcou uma mudança de tom, com críticas mais diretas a conflitos armados, mas também a temas como aborto, eutanásia e práticas de gestação por substituição.
O papa também expressou preocupação com o que classificou como redução da liberdade de expressão em países ocidentais. Segundo ele, novas formas de linguagem e discurso público, ainda que apresentadas como inclusivas, acabam por excluir vozes que não se alinham a determinadas correntes ideológicas.
Além disso, Leão XIV afirmou que cristãos enfrentam, em algumas regiões da Europa e das Américas, formas sutis de discriminação religiosa, tema que, segundo ele, precisa ser enfrentado de maneira aberta e responsável.
O discurso é tradicionalmente conhecido no Vaticano como uma espécie de avaliação do “estado do mundo” e sinaliza as prioridades diplomáticas do papado. A fala desta sexta-feira indica que Leão XIV pretende assumir papel ativo no debate internacional em um cenário marcado por guerras, tensões geopolíticas e desafios às instituições multilaterais.





