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EUA discutem pagar até US$ 100 mil por morador para anexar a Groenlândia

Proposta em análise na Casa Branca prevê pagamentos diretos à população e reacende tensão diplomática com Dinamarca e países europeu
Por Redação
9 de janeiro de 2026 - 9:12 AM

Autoridades dos Estados Unidos avaliam a possibilidade de oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Groenlândia como forma de incentivar a separação do território da Dinamarca e uma eventual anexação aos EUA. As discussões, ainda em caráter interno, envolvem valores que podem variar entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa.

Segundo fontes com conhecimento das deliberações da Casa Branca, a proposta é uma das alternativas consideradas pelo governo do presidente Donald Trump para viabilizar a aquisição da ilha, que tem cerca de 57 mil habitantes e ocupa posição estratégica no Ártico. Caso o valor mais alto seja adotado, o custo total poderia chegar a quase US$ 6 bilhões.

A Groenlândia é um território autônomo ligado à Dinamarca, que mantém controle sobre áreas como defesa e política externa. Autoridades em Copenhague e em Nuuk, capital groenlandesa, afirmam reiteradamente que o território não está à venda.

Apesar de os detalhes sobre logística, prazos e contrapartidas não estarem definidos, a proposta de pagamento direto é vista por analistas como politicamente sensível. Parte da população local discute há décadas a possibilidade de independência, mas a ideia de anexação aos Estados Unidos enfrenta resistência interna.

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Reação local e europeia

O primeiro ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, reagiu publicamente às declarações de Trump e de integrantes do governo americano. Em postagem nas redes sociais, afirmou que “fantasias sobre anexação” devem cessar e reforçou que o futuro do território cabe exclusivamente aos groenlandeses.

Líderes europeus também criticaram a iniciativa. Países como França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e a própria Dinamarca divulgaram uma declaração conjunta ressaltando que decisões sobre o status da Groenlândia dependem apenas do território e do governo dinamarquês. O posicionamento ganha peso pelo fato de Dinamarca e Estados Unidos serem aliados na Otan.

A Casa Branca confirmou que estuda cenários para uma eventual aquisição, mas evitou comentar detalhes sobre pagamentos diretos. O secretário de Estado, Marco Rubio, informou que pretende discutir o tema com representantes da Dinamarca em reunião prevista para a próxima semana, em Washington.

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Interesse estratégico dos EUA

Donald Trump sustenta há anos que os Estados Unidos precisam ampliar sua presença na Groenlândia por razões de segurança nacional. O território abriga uma base militar americana e é considerado estratégico pela proximidade com rotas do Ártico e pela presença de minerais usados em tecnologias avançadas e aplicações militares.

Entre as alternativas discutidas por assessores do governo está também a possibilidade de um acordo de livre associação, modelo já adotado pelos EUA com pequenas nações insulares do Pacífico. Nesse tipo de pacto, Washington oferece apoio econômico e militar em troca de acesso estratégico e facilidades comerciais.

Pesquisas indicam que a maioria dos groenlandeses defende a independência em relação à Dinamarca, mas não apoia a integração aos Estados Unidos. O custo econômico da separação e a dependência de subsídios dinamarqueses seguem como entraves para a convocação de um referendo.

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