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Estudo aponta três riscos graves para crianças que ganham celular antes dos 12 anos

Pesquisa com mais de 10 mil participantes associa acesso precoce ao smartphone a maiores índices de depressão, obesidade e noites mal dormidas
Por Redação
5 de dezembro de 2025 - 4:44 PM

O maior estudo já realizado sobre desenvolvimento cerebral infantil nos Estados Unidos revelou que crianças que recebem um celular antes dos 12 anos apresentam maior risco de depressão, obesidade e sono insuficiente. As conclusões foram publicadas na revista científica Pediatrics e analisam dados de mais de 10.500 participantes do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente.

Os resultados reforçam uma preocupação crescente entre especialistas e famílias sobre o impacto da vida digital precoce na saúde de pré-adolescentes. Para pesquisadores, a recomendação é clara. Sempre que possível, adiar a entrega de um smartphone pode reduzir riscos significativos ao bem-estar.

Riscos aumentam quanto menor a idade de acesso

O estudo apontou que quanto mais cedo a criança recebe o primeiro smartphone, maior é a probabilidade de desenvolver obesidade e má qualidade do sono. Entre um subgrupo analisado, crianças que só ganharam o aparelho aos 12 anos apresentaram, após um ano, pior saúde mental e noites mais interrompidas do que aquelas que ainda não tinham celular.

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O psiquiatra infantil Ran Barzilay, do Hospital Infantil da Filadélfia e autor principal da pesquisa, afirma que entregar um celular a uma criança deve ser encarado como uma decisão de impacto direto na saúde. Ele reforça que os pais precisam considerar os possíveis efeitos antes de permitir o acesso.

O que os cientistas sabem até agora

Os autores do estudo destacam que os resultados mostram associação, e não prova de causa e efeito. Ainda assim, pesquisas anteriores já sugeriam que o uso precoce do celular reduz tempo dedicado a atividades essenciais como convívio presencial, prática de exercícios e sono.

Especialistas lembram que a adolescência é uma fase sensível do desenvolvimento. Mudanças aparentemente pequenas no sono e no humor podem gerar impactos duradouros.

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Jacqueline Nesi, pesquisadora da Universidade Brown e estudiosa da relação entre tecnologia e saúde mental, alerta que não é possível provar de forma absoluta que o smartphone causa esses problemas. Mesmo assim, ela afirma que os pais não precisam aguardar evidências perfeitas para agir. Segundo a pesquisadora, adiar a entrega do aparelho e estabelecer limites claros pode ser uma escolha prudente.

O sono como fator crítico

Outro ponto de consenso entre os pesquisadores é o efeito dos celulares sobre o descanso. Jason Nagata, pediatra da Universidade da Califórnia, citou levantamento de 2023 que mostrou que 63 por cento das crianças entre 11 e 12 anos dormem com dispositivos no quarto. Quase 17 por cento relataram ter sido acordadas por notificações na semana anterior.

Para o pediatra, manter celulares fora do quarto durante a noite é uma medida simples e eficaz para reduzir danos, especialmente para famílias que já entregaram um aparelho aos filhos.

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Um desafio para pais e responsáveis

Barzilay reconhece que a discussão é complexa. Ele mesmo tem três filhos, dois deles com smartphones antes dos 12 anos. O mais novo, de 9 anos, ainda não deve receber um aparelho. Para o pesquisador, o importante é que pais, escolas e sociedade compreendam os riscos e tomem decisões informadas.

A pesquisa reforça que o uso do celular não determina o futuro de uma criança, mas indica que escolhas feitas na pré-adolescência podem influenciar a saúde a longo prazo.