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Declarações de Trump sobre anexação da Groenlândia geram reação da Europa e tensão na Otan

Presidente dos EUA afirma que território é estratégico para a segurança nacional; líderes europeus rebatem e alertam para risco à aliança militar.
Por Redação
7 de janeiro de 2026 - 8:42 AM

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de anexação da Groenlândia voltaram a provocar forte reação internacional, especialmente entre países europeus. Nesta terça feira (6), a Casa Branca confirmou que o governo norte americano avalia opções para adquirir o território, incluindo, entre as hipóteses, o uso de força militar.

Em comunicado enviado à agência Reuters, o governo dos EUA afirmou que a Groenlândia é estratégica para conter adversários no Ártico e que diferentes caminhos de política externa estão sendo analisados. Entre eles, estariam alternativas diplomáticas, como a compra do território ou a negociação de um acordo de livre associação.

Tema antigo, tensão renovada

O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia não é novo. O país mantém uma base militar na ilha e Trump já havia defendido publicamente a anexação durante seu primeiro mandato. O tema voltou ao centro do debate após o republicano retornar à Casa Branca, em janeiro do ano passado.

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Em março, Trump declarou que a Groenlândia é “essencial para a paz mundial” e para a segurança internacional, citando a presença crescente de navios chineses e russos na região. Em dezembro, ele nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar do assunto, o que gerou críticas imediatas da Dinamarca e do governo groenlandês.

À época, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca classificou as declarações como inaceitáveis e reforçou que apenas a Groenlândia pode decidir sobre o próprio futuro.

Reação europeia e alerta sobre a Otan

A tensão aumentou no último fim de semana após uma publicação nas redes sociais da norte americana Katie Miller, esposa do vice chefe de gabinete da Casa Branca, que divulgou um mapa da Groenlândia coberto pela bandeira dos Estados Unidos, acompanhado da legenda “em breve”. A postagem foi interpretada por autoridades europeias como uma ameaça velada.

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Nesta terça feira, líderes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que qualquer decisão sobre o território cabe exclusivamente à Dinamarca e aos groenlandeses.

O texto também destacou que a segurança no Ártico deve ser tratada de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual tanto os Estados Unidos quanto a Dinamarca fazem parte.

A primeira ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi mais enfática ao afirmar que um eventual ataque militar dos EUA à Groenlândia poderia significar o fim da Otan.

“Se um país da aliança atacar outro membro, tudo para. Inclusive a segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, afirmou.

Resposta da Groenlândia

O primeiro ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também reagiu publicamente. Em publicação nas redes sociais, criticou a postura dos Estados Unidos e rejeitou qualquer tentativa de pressão.

“Chega de insinuações e fantasias de anexação”, escreveu.

No ano passado, a Dinamarca anunciou um investimento de 42 bilhões de coroas dinamarquesas, cerca de R$ 35,4 bilhões, para reforçar sua presença militar no Ártico.

Interesses estratégicos

Localizada geograficamente no continente norte americano, a Groenlândia mantém laços históricos e políticos com a Dinamarca. Antiga colônia, a ilha integra o Reino da Dinamarca desde 1953 e segue a Constituição dinamarquesa. Em 2009, passou a ter governo autônomo, com possibilidade de independência por meio de referendo.

Para os Estados Unidos, o território é considerado estratégico tanto do ponto de vista militar quanto econômico. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa antimísseis e possui reservas de minerais, além de potencial para petróleo e gás, embora a exploração desses recursos enfrente restrições ambientais e oposição local.

Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que, apesar da retórica, a chance de a população groenlandesa aprovar uma associação aos Estados Unidos é considerada baixa.