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Bar que pegou fogo na Suíça não era inspecionado há cinco anos, dizem autoridades

Incêndio durante festa de Ano Novo deixou ao menos 40 mortos; investigação aponta uso de velas de faísca e falhas na fiscalização como fatores decisivos para a tragédia.
Por Redação
6 de janeiro de 2026 - 3:16 PM

Autoridades da Suíça afirmaram nesta terça feira (6) que o bar atingido por um incêndio de grandes proporções durante as comemorações de Ano Novo, na estação de esqui de Crans Montana, não passava por inspeções de segurança havia cinco anos. O fogo deixou pelo menos 40 mortos e 116 feridos, muitos em estado grave.

A principal linha de investigação aponta que o incêndio teve início após velas de faísca, conhecidas no Brasil como velas vulcão, serem acesas e colocadas em garrafas de champanhe. As faíscas teriam atingido o teto do bar Le Constellation, provocando o início das chamas. A informação foi confirmada pela procuradora geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, em entrevista coletiva.

Material inflamável no teto

Imagens feitas no interior do estabelecimento mostram que o teto era revestido por painéis de espuma utilizados para isolamento acústico. Segundo as autoridades locais, esse material nunca havia sido avaliado quanto à resistência ao fogo. Técnicos do município relataram que, em inspeções anteriores, apenas os níveis de ruído do bar foram analisados, quando os proprietários solicitaram autorização para ampliar o horário de funcionamento.

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O prefeito de Crans Montana, Nicolas Feraud, reconheceu que o local não foi submetido a auditorias, vistorias ou inspeções de segurança por um período de cinco anos. Ele afirmou que, em regra, a prefeitura realiza revisões anuais em bares, restaurantes e hotéis da cidade para identificar riscos de incêndio, como falhas em cozinhas e ausência de equipamentos adequados de combate ao fogo.

“Nós lamentamos profundamente. Devemos isso às famílias e vamos assumir a responsabilidade”,

declarou Feraud, ao afirmar que a prefeitura optou por ser transparente assim que identificou a falha. O prefeito descartou renunciar ao cargo.

Falhas estruturais e equipe reduzida

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Segundo Feraud, o município conta com apenas cinco funcionários responsáveis por fiscalizar mais de 10 mil edifícios na região. Ele destacou ainda que a legislação local não exige, atualmente, a verificação de materiais de isolamento acústico instalados em tetos, tema que agora deverá ser revisto pelas autoridades competentes.

Como medida imediata, a prefeitura anunciou a proibição total do uso de velas de faísca em estabelecimentos comerciais da cidade. A decisão foi classificada pelo prefeito como “óbvia”, diante das circunstâncias da tragédia.

Investigação criminal em andamento

Paralelamente, promotores suíços abriram uma investigação criminal contra os dois gerentes do bar, um casal francês identificado pela imprensa local como Jacques e Jessica Moretti. Eles são suspeitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio culposo.

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A prefeitura informou que colabora com a administração do bar para reconstruir a dinâmica do incêndio, mas ressaltou que a definição de responsabilidades criminais cabe exclusivamente ao Judiciário.

Relatos de desespero

O incêndio ocorreu durante uma festa de Ano Novo em um dos bares mais conhecidos da cidade turística, frequentado principalmente por jovens. As vítimas tinham entre 14 e 39 anos.

Testemunhas relataram cenas de pânico. “As pessoas corriam em todas as direções, gritando e chorando”, contou uma turista italiana. Um jovem de 18 anos disse ter entrado no bar em chamas para tentar encontrar o irmão. “Vi pessoas queimando da cabeça aos pés”, relatou.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o momento em que o teto começa a pegar fogo, logo após clientes erguerem garrafas com velas de faísca. Em poucos segundos, as chamas se espalharam por todo o ambiente.

Fogo se espalhou em segundos

Especialistas avaliam que o fenômeno conhecido como flashover pode explicar a rapidez com que o incêndio tomou o bar. Segundo o investigador britânico Richard Hagger, esse efeito ocorre quando o calor e a radiação térmica se acumulam no teto e se espalham rapidamente, incendiando outros materiais quase de forma instantânea.

“Na prática, o local fica completamente tomado pelas chamas em questão de segundos”, explicou.

A tragédia reacende o debate internacional sobre fiscalização, materiais inflamáveis em ambientes fechados e o uso de efeitos pirotécnicos em locais com grande concentração de pessoas, tema que também tem impacto direto em políticas de segurança adotadas em cidades brasileiras.