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Agricultura amplia área em 11 milhões de hectares na Mata Atlântica em 41 anos, aponta MapBiomas

Levantamento divulgado no Dia da Árvore mostra expansão agrícola no bioma, avanço da regeneração florestal e redução gradual da perda de vegetação nativa desde os anos 2000
Por: Redação
21 de setembro de 2026 - 10:29 AM

A agricultura expandiu sua área em 11 milhões de hectares na Mata Atlântica entre 1985 e 2025, segundo levantamento da Coleção 11 do MapBiomas, divulgado nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore. No mesmo período, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação nativa madura, enquanto recuperou mais de 8 milhões de hectares por meio da regeneração natural de áreas anteriormente desmatadas.

Os dados mostram que aproximadamente um em cada quatro hectares de vegetação nativa existentes atualmente na Mata Atlântica corresponde a áreas regeneradas nas últimas quatro décadas.

O estudo reúne informações anuais sobre cobertura e uso da terra no Brasil e foi elaborado pela rede colaborativa MapBiomas, formada por universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia.

Agricultura avançou principalmente sobre áreas de pastagem
Segundo o levantamento, a expansão agrícola ocorreu principalmente sobre antigas áreas de pastagem, que perderam cerca de 11 milhões de hectares desde 1985.

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Entre as culturas que mais cresceram estão:

Soja: aumento de 8,7 milhões de hectares, chegando a 11,1 milhões de hectares em 2025;
Cana de açúcar: crescimento de 5 milhões de hectares, totalizando 6,15 milhões de hectares.
Em 2025, a Mata Atlântica concentrava:

50% da área nacional de cana de açúcar;
25% da soja cultivada no Brasil;
68% das áreas de café;
34% da produção de citrus.

Para Piracicaba, polo tradicional da cadeia sucroenergética paulista e referência em pesquisa agrícola por meio da Esalq/USP e do setor canavieiro, os dados reforçam a importância econômica da agricultura desenvolvida dentro do bioma da Mata Atlântica.

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Vegetação secundária concentra maior parte das perdas recentes
Apesar da recuperação registrada em diversas áreas, o relatório aponta que o desmatamento passou a atingir principalmente vegetações que estavam em processo de regeneração.

Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares, sendo:

700 mil hectares de vegetação secundária;
500 mil hectares de vegetação madura.
Assim, 60% das perdas ocorridas nos últimos cinco anos atingiram áreas regeneradas.

Ao mesmo tempo, o levantamento indica uma tendência de redução da supressão de vegetação nativa ao longo da série histórica. Desde os anos 2000, as perdas registradas em cada período de cinco anos permaneceram abaixo de 2 milhões de hectares.

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Segundo o MapBiomas, São Paulo e Rio de Janeiro foram os únicos estados que não registraram perda líquida de vegetação nativa ao longo dos 41 anos analisados.

Agropecuária ocupa 63% da Mata Atlântica
Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados, a Mata Atlântica possui atualmente cobertura de vegetação nativa em 32% do território, enquanto a agropecuária ocupa 63%.

Somente a agricultura representa cerca de 20,5 milhões de hectares, equivalente a 19% da área total do bioma.

Outro destaque é o crescimento da silvicultura, que avançou 3,8 milhões de hectares desde 1985, chegando a 4,9 milhões de hectares em 2025. Hoje, metade da área de florestas plantadas do país está localizada na Mata Atlântica.

Áreas urbanizadas mais que dobraram
O estudo também mostra que as áreas urbanizadas cresceram 2,5 vezes nas últimas quatro décadas.

A expansão foi de 1,3 milhão de hectares, alcançando 2,3 milhões de hectares em 2025. Mais da metade das áreas urbanizadas brasileiras está localizada dentro da Mata Atlântica.

Os maiores aumentos foram registrados nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

A coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, Natália Crusco, destacou que a regeneração é importante para recuperar áreas degradadas, mas ressaltou a necessidade de evitar novas perdas de vegetação nativa, especialmente em um dos biomas mais fragmentados e pressionados do país.