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Pisa 2025: Brasil tem queda em leitura e matemática, mas resultado é considerado estável pela OCDE

Pontuação brasileira recuou dois pontos nas duas áreas e avançou em ciências; país continua abaixo da média dos países da organização
Por: Redação
8 de setembro de 2026 - 1:37 PM

O desempenho dos estudantes brasileiros apresentou queda numérica em leitura e matemática no Pisa 2025, divulgado nesta terça feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apesar do recuo nas pontuações, a organização considera que os resultados brasileiros permaneceram estatisticamente estáveis em relação à edição anterior.

Em leitura, o Brasil passou de 410 pontos em 2022 para 408 em 2025, uma redução de dois pontos. Em matemática, a pontuação caiu de 379 para 377, também dois pontos.

Já em ciências, o movimento foi contrário: o desempenho brasileiro avançou de 403 para 409 pontos, uma melhora numérica de seis pontos.

As diferenças, porém, não são consideradas estatisticamente significativas pela OCDE. Isso significa que os números não permitem afirmar que houve uma piora efetiva da aprendizagem entre as duas edições. A avaliação da organização é de que o desempenho brasileiro permaneceu praticamente estável.

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Brasil continua abaixo da média da OCDE
Mesmo com a estabilidade estatística, o desempenho dos estudantes brasileiros permanece abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas avaliadas.

O cenário fica mais evidente quando são considerados os níveis de proficiência. Em matemática, 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2, considerado pelo Pisa uma referência básica de proficiência. Na média da OCDE, o percentual foi de 65%.

Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 ou superior, diante de 69% na média da OCDE.

Em ciências, 48% dos brasileiros atingiram pelo menos esse nível, enquanto a proporção chegou a 74% entre os países da organização.

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Poucos brasileiros alcançam os níveis mais altos
Os dados também mostram uma participação reduzida de estudantes brasileiros entre os níveis mais elevados de desempenho.

Em matemática, praticamente nenhum aluno brasileiro chegou aos níveis 5 ou 6, enquanto a média da OCDE foi de 8%.

Em leitura, 1% dos estudantes brasileiros alcançou o nível 5 ou superior, diante de 6% na OCDE. Em ciências, também foram 1% no Brasil, contra 7% na média dos países da organização.

Desempenho internacional também caiu
O Pisa 2025 mostra que as dificuldades educacionais não estão restritas ao Brasil. O relatório da OCDE aponta uma deterioração do desempenho em diferentes países, especialmente em leitura e matemática. A organização dedica parte da análise às tendências de desempenho e às diferenças estatisticamente significativas entre os ciclos da avaliação.

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Nesse contexto, embora o Brasil continue distante dos resultados médios da OCDE, a diferença para o conjunto de países diminuiu em algumas comparações, também em razão da queda observada internacionalmente.

Por isso, a aproximação entre as pontuações brasileiras e a média da OCDE não significa, isoladamente, uma melhora equivalente da aprendizagem no Brasil.

Avaliação também analisou habilidades digitais
O Pisa 2025 trouxe ainda uma avaliação relacionada à aprendizagem no mundo digital, incluindo a capacidade dos estudantes de resolver problemas utilizando ferramentas computacionais.

Segundo os dados apresentados pela OCDE, o Brasil também ficou abaixo da média internacional nessa área. A avaliação de 2025 teve ciências como domínio principal e incluiu o eixo inovador relacionado à aprendizagem no ambiente digital.

O que é o Pisa
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido como Pisa, é realizado pela OCDE e avalia conhecimentos e habilidades de jovens de 15 anos.

No Brasil, a aplicação é de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O país participa da avaliação desde sua primeira edição, realizada em 2000.

Os resultados de 2025 mostram, portanto, dois movimentos que precisam ser considerados em conjunto: houve queda de dois pontos em leitura e matemática e avanço de seis pontos em ciências, mas essas oscilações não representam mudanças estatisticamente significativas no desempenho brasileiro.

O desafio permanece no elevado número de estudantes que não alcançam os níveis básicos de proficiência, principalmente em matemática, e na distância que ainda separa o Brasil da média dos países da OCDE.