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Ensino superior a distância supera presencial em matrículas, mas evasão segue como desafio

Modalidade concentra mais da metade dos estudantes no país, impulsionada pela flexibilidade, enquanto índices de desistência permanecem elevados
Por Redação
21 de março de 2026 - 8:55 AM

O ensino a distância passou a reunir mais matrículas do que a modalidade presencial no ensino superior brasileiro. Os dados constam na 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, divulgada pelo Instituto Semesp, e mostram que 50,7% dos estudantes estão hoje em cursos on-line.

Na última década, o número de matrículas em EAD cresceu 287%, em um avanço puxado principalmente pela ampliação da oferta e pela busca de alternativas mais flexíveis para estudar. Apesar disso, a evasão continua sendo um dos principais entraves do setor.

Em 2024, a taxa de desligamento foi de 24,8% nos cursos presenciais e de 41,6% no ensino a distância. No acumulado entre 2020 e 2024, o cenário é ainda mais grave no setor privado, onde 64,7% dos ingressantes deixaram o curso antes da conclusão. Nos cursos EAD de instituições particulares, esse índice chegou a 68,1%, contra 35% na rede pública.

Perfil do aluno ajuda a explicar avanço do EAD
O levantamento indica que a expansão do ensino remoto está ligada, em grande parte, ao perfil do estudante trabalhador e mais velho, que busca flexibilidade para conciliar estudo e rotina profissional.

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Em 2014, o ensino presencial noturno concentrava 53,2% dos ingressantes. Dez anos depois, esse percentual caiu para 18,2%. No mesmo período, a participação do EAD entre os novos alunos saltou de 26,7% para 73,5%.

Área do curso influencia permanência
A permanência no ensino superior também varia conforme o curso escolhido. Medicina aparece com a menor taxa de desistência acumulada, de 20%. Já os cursos tecnólogos registraram o maior índice de evasão, chegando a 64,3% no ciclo de 2020 a 2024.

No recorte por rede, a evasão também é mais alta nas instituições particulares, com taxa de 26,6%, ante 21,4% na rede pública.

Desempenho acadêmico mostra equilíbrio
Os dados do Enade, no ciclo 2021-2023, apontam que o desempenho dos estudantes do ensino a distância se aproxima do observado no presencial e, em alguns casos, chega a superá-lo.

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Na média geral, os alunos do presencial registraram nota 43,2, enquanto os do EAD alcançaram 42,5. Nas universidades, houve praticamente empate: 45,5 no presencial e 45,3 no EAD.

Nos centros universitários, a modalidade a distância superou a presencial, com notas de 42,1 contra 40,7. O mesmo ocorreu nas faculdades, onde o EAD marcou 37,4, acima dos 36,2 do modelo presencial.

Expansão vem acompanhada de desafio estrutural
O avanço do ensino a distância consolidou uma mudança no perfil do ensino superior brasileiro, ampliando o acesso ao diploma para públicos que antes dependiam de horários mais rígidos. Ao mesmo tempo, os altos índices de evasão mostram que o desafio já não é apenas garantir entrada no sistema, mas criar condições para que o aluno permaneça até a formatura.

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