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Enamed revela falhas em conteúdos básicos e reacende debate sobre formação médica no país

Prova nacional mostra que cerca de 30% dos estudantes do último ano erraram questões simples do atendimento clínico, como dengue, dor de cabeça e prescrição de medicamentos
Por Redação
26 de janeiro de 2026 - 9:31 AM

Erros em situações comuns do dia a dia médico colocaram em evidência fragilidades na formação de parte dos futuros profissionais de Medicina no Brasil. Dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) indicam que mais de 30% dos cursos avaliados tiveram desempenho considerado insuficiente, com estudantes do último ano apresentando dificuldades em temas básicos da prática clínica.

Aplicado a alunos concluintes de 351 cursos de Medicina, o Enamed foi realizado por mais de 39 mil estudantes. O exame funciona como um termômetro da qualidade da formação médica e, segundo relatório do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), quase 13 mil alunos acertaram menos de 60% da prova.

Entre os erros apontados estão questões relacionadas ao diagnóstico e manejo da dengue em casos graves. Em uma das perguntas, considerada de baixa complexidade, 66% dos estudantes reprovados não souberam indicar a conduta correta diante de sintomas como febre alta, dores intensas e vômitos persistentes. Para especialistas, a falha é preocupante, já que a doença é recorrente no país e pode evoluir rapidamente para quadros graves.

Outro exemplo envolveu o atendimento de um quadro de dor de cabeça persistente em uma paciente de 55 anos, com alterações visuais e cansaço. A resposta correta previa a solicitação de um exame de sangue simples para investigar inflamação vascular, mas 65% dos alunos com desempenho insuficiente erraram a questão.

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O exame também avaliou conhecimentos sobre prescrição de medicamentos. Em uma pergunta sobre a doença de Parkinson, mais da metade dos estudantes não conseguiu identificar corretamente os fármacos indicados para o tratamento inicial da paciente apresentada no enunciado.

Relatos de estudantes reforçam a percepção de deficiências na formação prática. Alunos de instituições com notas mais baixas no Enamed apontam falta de professores especialistas, ausência de hospital-escola e estágios superlotados, fatores que dificultariam o aprendizado de procedimentos essenciais. O Ministério da Educação informou que cursos com desempenho insatisfatório poderão sofrer sanções, como redução de vagas e suspensão de novos ingressos, além de processos administrativos para correção de problemas estruturais e pedagógicos.

O resultado do Enamed reacendeu o debate sobre a criação de um exame de proficiência obrigatório para médicos recém-formados. O Conselho Federal de Medicina defende a medida como forma de proteger a população e garantir que apenas profissionais devidamente preparados possam atuar. Já representantes das instituições privadas afirmam que o Enamed deve ser visto como um instrumento de diagnóstico, mas não como a única ferramenta para avaliar a qualidade do ensino médico no país.

O cenário exposto pelo exame reforça a discussão sobre a expansão acelerada dos cursos de Medicina, a qualidade da formação oferecida e a necessidade de mecanismos mais eficazes de avaliação, em um contexto em que falhas no ensino podem ter impacto direto na segurança dos pacientes e no sistema de saúde como um todo.

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