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Brasil registra menor taxa de analfabetismo da história, mas ainda tem 8,4 milhões sem alfabetização

Taxa cai para 4,9% e atinge o menor nível da série histórica, mas desigualdades regionais e raciais ainda desafiam o país
Por Redação
23 de junho de 2026 - 8:17 AM

O Brasil registrou avanços no combate ao analfabetismo em 2025. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever caiu para 4,9%, o menor índice já registrado no país.

Apesar da redução, o número ainda representa cerca de 8,4 milhões de brasileiros em situação de analfabetismo. Em comparação com 2024, houve diminuição de aproximadamente 592 mil pessoas nessa condição.

O levantamento também aponta que a maior concentração de analfabetos continua na região Nordeste, que reúne 4,8 milhões de pessoas e apresenta taxa de 10,6%, mais que o dobro da média nacional.

Idosos concentram a maior parte dos casos
Segundo o IBGE, a população com 60 anos ou mais representa 58% de todos os analfabetos do país, totalizando cerca de 4,9 milhões de pessoas.

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Sem considerar essa faixa etária, a taxa nacional cairia para 2,6%, evidenciando que o problema está fortemente ligado às gerações que tiveram menor acesso à educação formal.

O analista do IBGE, William Kratochwill, destaca que os números demonstram avanços das políticas educacionais voltadas às gerações mais jovens, mas reforçam a necessidade de ampliar programas de alfabetização para adultos e idosos.

Diferenças regionais permanecem
O estudo revela disparidades significativas entre as regiões brasileiras. Enquanto o Nordeste lidera os índices de analfabetismo, o Sudeste apresenta a menor taxa do país.

Taxa de analfabetismo por região:

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Nordeste: 10,6%
Norte: 5,7%
Centro-Oeste: 3,3%
Sul: 2,4%
Sudeste: 2,3%

Desigualdade racial segue presente
Os dados mostram que o analfabetismo ainda afeta de forma mais intensa a população preta e parda, especialmente entre os idosos.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chega a 20,6%, enquanto entre brancos o índice é de 7,3%.

Por outro lado, o levantamento aponta avanços na escolarização. Pela primeira vez, mais da metade da população preta e parda com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio, alcançando 51,3%.

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Trabalho é principal motivo de abandono escolar
Entre jovens de 14 a 29 anos que deixaram os estudos ou não frequentam a escola, a necessidade de trabalhar aparece como principal motivo, citada por 43% dos entrevistados.

O desinteresse pelos estudos ocupa a segunda posição, com 25,6%. Entre as mulheres, gravidez e responsabilidades domésticas também aparecem entre os fatores que dificultam a permanência na escola.

Educação infantil ainda enfrenta falta de vagas
A pesquisa também identificou dificuldades no acesso à educação infantil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

No Norte do país, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos que estão fora da escola não frequentam instituições de ensino por falta de vagas ou ausência de unidades próximas de suas residências.

Embora os indicadores mostrem progresso na alfabetização da população brasileira, os números reforçam que o país ainda enfrenta desafios importantes para reduzir desigualdades educacionais e garantir acesso à educação em todas as faixas etárias.